Porto: Bispo e auxiliares convocam todos à participação no Sínodo Diocesano e reconhecem desafio de responder a mundo em mudança

D. Manuel Linda, D. Vitorino Soares, D. Joaquim Dionísio e D. Roberto Mariz assinam carta pastoral a orientar sobre o processo que decorre até 2028

Porto, 09 jun 2026 (Ecclesia) – O bispo do Porto e auxiliares escreveram uma carta pastoral sobre o Sínodo Diocesano, divulgada esta segunda-feira, na qual apelam à participação de todos e assinalam a necessidade de responder a um mundo em mudança.

“Vivemos um tempo único na nossa diocese, onde a participação de cada um é esperada e valorizada. Uma das formas mais profundas de colaborar é através da oração, suplicando ao Espírito Santo que guie os nossos passos na construção de uma Igreja mais formada, participativa e missionária”, pode ler-se no documento.

A Diocese do Porto iniciou o Sínodo Diocesano no dia 24 de maio, na solenidade de Pentecostes, prolongando-se até 2028.

O bispo diocesano, D. Manuel Linda, e os auxiliares D. Vitorino Soares, D. Joaquim Dionísio e D. Roberto Mariz destacam que, atenta às exigentes circunstâncias e ao apelo por um novo vigor evangelizador, a “diocese assume o desafio de responder aos sinais dos tempos sem demora”.

“Se outrora a fé cristã moldava largamente os seus residentes, hoje reconhecemos a sua fragilidade: a indiferença cresce, a pertença e a prática desvanecem e o nosso testemunho nem sempre é coerente”, indicam.

Os bispos observam que, numa cultura fragmentada e polarizada, “onde a imagem da instituição eclesial surge por vezes ferida, a tradição cristã perde força” e muitos dos “contemporâneos deixam de sentir a Igreja como a sua casa espiritual”.

Ao mesmo tempo que diminui a prática religiosa, os bispos vislumbram “uma profunda fome de Deus e de sentido”, acrescentando que “a alergia à instituição eclesial não apaga a busca pelo sagrado, que continua vibrante, mesmo quando o diálogo é interrompido ou é difícil acreditar nas respostas”.

“Se as gerações passadas foram fermento, cabe-nos agora não ocultar a luz de Cristo, para que sejamos uma comunidade diocesana que verdadeiramente ilumina e inspira”, salientou.

A carta pastoral orientadora do Sínodo Diocesano realça que é necessário “explorar novos meios para mostrar Jesus Cristo, falando ao coração do homem contemporâneo”, e que é preciso em conjunto “olhar e propor caminhos que encurtem distâncias e permitam alcançar todos, incluindo os que já não nos pedem nada”.

Diante da indiferença, queremos propor a beleza da fé e ser uma Igreja que convida e acolhe, propõe e forma, ajudando cada um a redescobrir a sua alma, a aproximar-se de Deus e a valorizar a pertença à comunidade cristã. Queremos ser mensageiros das surpresas do Evangelho, confiando que na Palavra de Deus reside a nossa garantia de esperança”, assumem os bispos.

No início da carta pastoral, os bispos assinalam que é “com alegria e esperança” que iniciam este caminho sinodal, acolhendo-o como um evento de graça e um “tempo favorável” concedido por Deus à nossa Igreja diocesana.

“Queremos vivê-lo como oportunidade para consolidarmos a nossa identidade e pertença cristãs e como ocasião para, juntos, discernirmos caminhos que favoreçam a conversão e dinamizem a missão”, referiram.

O documento frisa que “mais do que um olhar para dentro, cuja preocupação seria organizar estruturas ou decidir sobre algumas regras, o sínodo é uma oportunidade” para acolhera graça inspiradora de Deus e mergulhar “na própria natureza da Igreja, entendida como um organismo vivo que caminha e se transforma”.

“Aspiramos à consolidação de uma Igreja missionária, viva e atenta às realidades que a formam, presente nos diferentes meios e solícita para servir. O processo sinodal será a expressão visível desta comunhão e participação, contribuindo para concretizar uma missão que se reinventa neste tempo exigente e neste chão que nos define: a nossa diocese do Porto. É a missão que nos move”, lê-se.

“Inspirados pelos grandes documentos da Igreja e pelo recente caminho sinodal”, D. Manuel Linda, D. Vitorino Soares, D. Joaquim Dionísio e D. Roberto Mariz reafirmam “que ser discípulo missionário” é “vocação comum e o segredo do futuro” da diocese.

É tempo de um novo impulso e de uma transformação interior que nos leve a testemunhar a vida em Cristo com maior vigor. O sínodo desafia-nos a ser uma Igreja em saída à imagem de Jesus, Aquele que percorreu caminhos diversos para encontrar todos, usando uma linguagem profunda, mas acessível”, enfatizam.

Os bispos sublinham que “a comunhão é o oposto do isolamento” e que o sínodo será o “grande momento de encontro” da diocese, permitindo “discernir, através do diálogo, as vias para o anúncio do Evangelho”.

“Este é o momento de assumirmos, com verdade e coragem, uma conversão pastoral que responda aos desafios de hoje”, ressaltam.

Na carta, o bispo diocesano e os auxiliares dão conta que “as partilhas recentes foram essenciais para identificar as prioridades e os objetivos” que agora guiam a diocese, “desde a escolha do lema até à definição” dos “eixos de ação”.

Nas 477 paróquias que compõem a nossa diocese, mas também noutras comunidades (secretariados, universidade, escolas, grupos, movimentos), seremos convidados a unir-nos em equipas sinodais”, apontam.

Os bispos assinalam que, através da oração e da escuta mútua, a diocese discernirá em conjunto os caminhos da Igreja, “criando uma síntese que servirá de alicerce ao trabalho da Assembleia Sinodal, de onde sairão propostas a apresentar a D. Manuel Linda “para aprovação e promulgação, contribuindo para definir os passos futuros” da “missão evangelizadora”.

“O lema do nosso sínodo, ‘Ser Porto: Formar – Reformar – Transformar’, surgiu do contributo de muitos e traduz a nossa visão e a nossa identidade de Igreja diocesana: uma comunidade acolhedora que congrega a diversidade e se alegra na unidade”, lembram.

Os bispos explicam que “o compromisso de Formar nasce da vontade de crescer e capacitar a comunidade para os desafios atuais”, o reformar foca-se na melhoria das “estruturas, tornando a instituição mais ágil e funcional para a missão” e há o horizonte final de transformar: “alcançar uma conversão pastoral autêntica e uma evangelização inspirada no Evangelho”.

“Ao longo dos próximos meses, viveremos a graça do nosso sínodo diocesano, com o desejo de que este evento se torne um processo contínuo”, acentuam.

A carta pastoral inclui as etapas do roteiro do Sínodo Diocesano, que abrangem ciclos de catequeses sinodais em toda a diocese (de setembro a dezembro de 2026); encontro das equipas sinodais para o diálogo e discernimento, cuja síntese dará origem ao Instrumento de Trabalho (de janeiro a junho de 2027); a apresentação oficial deste documento (08 de dezembro de 2027), realização das três sessões da Assembleia Sinodal (janeiro a abril de 2028) e encerramento do Sínodo e divulgação das propostas sinodais (4 de junho de 2028).

LJ/OC

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