Educação: Projeto «Cáritas na Escola» chegou a quase 15 mil alunos, apostados em desconstruir preconceitos e fazer ouvir a sua voz

Sessões de educação não formal promoveram debates em 240 escolas, envolvendo 488 professores em 20 dioceses

Foto Cáritas Portuguesa

Lisboa, 28 mai 2026 (Ecclesia) – A Cáritas Portuguesa apresentou o primeiro relatório do projeto ‘Cáritas na Escola’, tendo envolvido 14 800 alunos, 240 escolas, 488 professores apostados em escutar jovens, abordar temas do quotidiano em metodologias de educação não formal, ajudando a desconstruir preconceitos.

“Estamos a usar os nossos preconceitos para organizar estas iniciativas. E aquilo que temos aprendido com os jovens é que eles têm muito mais para nos dar na organização destes temas: quando começamos a ser mais próximos, também aprendemos sobre as suas necessidades, quais são os temas que os desafiam e aproveitamos para responder dúvidas, canalizar energias”, explicou à Agência ECCLESIA Rita Valadas, presidente da Cáritas Portuguesa.

Em sessões organizadas inicialmente por equipas Cáritas, os alunos maioritariamente aas disciplinas de Educação Moral e Religiosa Católica e Cidadania e Desenvolvimento, são convidados a debater temas como migrações, sustentabilidade, igualdade de oportunidades, mas também pobreza e voluntariado, abordando áreas temáticas que podem cruzar também Geografia ou História.

“Ir às escolas e ver o que é que as escolas precisavam, o que é que desafia os miúdos e o que é que é importante para eles, que se discuta de forma abertamente, para que eles possam incorporar temas no seu conhecimento e na sua forma de estar. Cada escola escolhe os temas, e marca o seu ritmo com a equipa Cáritas, procurando desenvolver valores próximos da ação da Cáritas e da Igreja”, explica ainda Rita Valadas.

Sérgio Fernandes, da Cáritas diocesana do Funchal, que no último ano envolveu 11 escolas do território, regista uma participação crescente no projeto e a importância da educação não formal no crescimento de futuros cidadãos.

“A intervenção do Caritas na Escola em cada ciclo é diferente, adequada à idade e nós acreditamos que, quanto mais cedo, transmitirmos valores que fazem parte da missão Caritas, melhor para a formação de cidadãos futuros. Educar para a cidadania, é complementar à escola, esbatendo dificuldades da própria instituição, e a educação não formal terá cada vez mais importância no ensino atual e no ensino futuro”, indica.

Sira Lopes, responsável pelo «Projeto B!Equal-E9G (integrado no Programa Escolhas) da Cáritas Arquidiocesana de Braga, dá conta de um projeto criado pelos alunos para combater o desperdício alimentar, criado depois de um debate na escola.

“Os debates ajudam as crianças e jovens a participar de forma ativa e os resultados que nós temos são participações em voluntariado, projetos que surgem. Na última sessão surgiu a ideia de combater o desperdício e criar uma brigada na escola contra o desperdício nas cantinas que acaba por ir para o lixo. O facto de levarmos a Cáritas à escola e falarmos dos nossos valores, da nossa missão, faz com que estas crianças cresçam com valores”, sublinha.

A técnica da Cáritas de Braga reconhece ainda a capacidade de os jovens levarem os temas abordados para a casa e serem também motores de mudança em casa.

“Nem todas as famílias vão abraçar estas temáticas, mas muito do feedback que nós fomos recebendo, dá conta de temas levados para casa e respostas das famílias. Podermos quebrar alguns estereótipos que as próprias famílias têm, mostra o quão importante é os jovens crescerem com informação”, explica.

Helena Domingues, gestora de projeto da área de Intervenção social da Cáritas Portuguesa, que desenvolveu diversas sessões em escolas nas 20 dioceses onde o projeto foi apresentado, destaca a vontade de participação dos jovens e de a sua voz ser escutada.

“Dentro do contexto de sala de aula há muita sede para participar. Os alunos, desde o primeiro ciclo ao ensino secundário, respondem muito bem a este desafio, quando nós pedíamos para participar nos debates, nas atividades que apresentamos, as dinâmicas em sala de aula, há muito esta vontade e esta recetividade por parte tanto dos alunos como dos professores”, traduz.

A rotatividade do corpo docente e a escassez de recursos desafia o projeto «Cáritas na Escola» a apostar em «embaixadores» que continuem a apostar no projeto nos estabelecimentos de ensino, promover “formação contínua através dos workshops”, “renovação pedagógica” procurando cruzar a “atualidade” e o seu compromisso com “o enquadramento pedagógico com as políticas públicas na área da educação vigentes no contexto nacional”.

LS

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