Em causa estão delitos cometidos contra menores e pessoas vulneráveis
Braga, 26 mai 2026 (Ecclesia) – A Arquidiocese de Braga anunciou hoje que o padre Albino Fernando Tristão Meireles foi demitido do estado clerical, por decreto de 21 de abril de 2026, após a conclusão do correspondente processo penal canónico.
“O processo incidiu sobre delitos contra o sexto mandamento cometidos contra menores e pessoas vulneráveis, em conformidade com a legislação canónica atualmente em vigor. A decisão foi tomada após análise dos factos, das provas recolhidas e da condenação no âmbito da justiça civil”, pode ler-se no comunicado enviado à Agência ECCLESIA, e divulgado online.
Em causa estão abusos sobre menores e adultos vulneráveis.
O Código do Direito Canónico prevê, na sua nova redação, a “privação do ofício e outras penas justas, sem excluir, se o caso o exigir, a expulsão do estado clerical”, para os sacerdotes que sejam considerados culpados destes crimes.
A Arquidiocese de Braga “reconhece a gravidade dos atos em causa e a profunda dor provocada às vítimas, às suas famílias, às comunidades cristãs e a todos os que legitimamente esperam da Igreja um testemunho coerente, seguro e responsável”.
“Renovamos a nossa proximidade para com as vítimas de abuso e reafirmamos o compromisso de continuar a promover uma cultura de proteção, prevenção e transparência, colaborando com as autoridades civis e canónicas competentes”, indica.
A Igreja Católica em Braga diz manter-se “empenhada em assegurar ambientes seguros, especialmente para menores e pessoas vulneráveis, assumindo com determinação os deveres de vigilância, formação e responsabilização que esta missão exige”.
O comunicado inclui ainda o apelo, mais uma vez, “a todos os que possam ter sido vítimas de qualquer espécie de abuso sexual em alguma paróquia ou instituição da Arquidiocese de Braga, e que ainda não deram voz ao seu silêncio, que contactem a Comissão de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis ([email protected] ou 913 596 668)”.
“Estamos disponíveis para escutar e acolher. Por respeito pelas vítimas e pela gravidade da matéria, a Arquidiocese não fará comentários adicionais para além desta nota”, conclui.
Em 2025, o padre Albino Meireles foi condenado pelo tribunal civil a pena suspensa por abuso sexual de menores e estava suspenso do sacerdócio desde 2023, quando o seu nome apareceu na lista de padres suspeitos da comissão independente, informa a RTP.
A demissão do estado clerical comporta, segundo o Direito Canónico, a perda dos direitos, das funções eclesiásticas e das obrigações próprias dos sacerdotes.
LJ/OC
