Forças Armadas e Forças de Segurança: Delegação portuguesa conclui peregrinação a Lourdes, em França, com apelo à santidade

D. Sérgio Dinis presidiu à Missa na Catedral de Ávila, em Espanha, exortando militares a levar alegria, séria e profunda, «nascida do encontro com o Senhor», para casa, para as próprias famílias e missões

Foto: Diocese das Forças Armadas e Segurança

Lourdes, França, mai 2026 (Ecclesia) – A Diocese das Forças Armadas e das Forças de Segurança presidiu hoje à Missa de encerramento da participação portuguesa na 66ª Peregrinação Militar Internacional a Lourdes, em França, na qual o bispo do Ordinariato Castrense apelou à santidade, recordando Filipe de Néri e Santa Teresa.

“Em Lourdes, algo em vós foi tocado por essa mesma santidade. Não deixeis que isso fique apenas ali. Não tenhas medo nem receio de encarar a santidade como um projeto de vida”, afirmou esta manhã D. Sérgio Dinis, na homilia da Missa na Catedral de Ávila, em Espanha, para onde foi a delegação portuguesa, depois de ter estado em território francês.

Uma delegação de 160 militares portugueses participou na 66ª Peregrinação Militar Internacional a Lourdes, cujo programa decorreu entre 22 e 24 de maio.

Segundo o bispo, “a santidade não é perfeição sem mácula, sem pecados”, mas “fidelidade apaixonada”, salientando que Filipe de Néri, fundador dos padres oratorianos, cuja memória litúrgica se celebra hoje, “sabia-o bem”, apresentando-o como um “homem do século XVI que evangelizou Roma não com decretos, mas com alegria, com proximidade, com uma humanidade transbordante de Deus”.

“Santa Teresa, aqui mesmo, nesta cidade cujas muralhas ainda hoje ensinam que a interioridade é a maior das fortalezas, nunca separou a contemplação da ação, nem o céu da terra”, disse, evocando a religiosa carmelita.

D. Sérgio Dinis recordou que, ali, aquela doutora da Igreja viveu aquilo a que se chamava “desasimiento, ou seja, o desprendimento”, acrescentando que ela sabia que “sem ele a alma não avança, fica presa nos corredores exteriores do castelo, incapaz de chegar ao centro onde Deus habita”.

“Não se trata de uma renúncia amarga: é a libertação de quem solta o que pesa para poder voar. Filipe de Néri viveu o mesmo de outra forma. Deixou Florença, foi para Roma com as mãos vazias, entregou-se aos pobres e aos doentes dos hospitais, sem cargo nem título, com o coração cheio de Deus”, mencionou.

Na celebração, concelebrada pelos capelães que o acompanharam nesta jornada espiritual, entre os quais o Capelão Adjunto para o Exército, padre Luís Morouço, o bispo do Ordinariato Castrense destacou que os dias de peregrinação foram também um deixar a rotina, o conforto e as defesas habituais.

“Expusemo-nos — ao cansaço, à oração partilhada, à fragilidade dos outros e à nossa própria. E Jesus cumpriu a promessa: recebemos ‘cem vezes mais’. Não em bens, mas em irmãos, em silêncios fecundos, em momentos em que o céu pareceu mais próximo. Eu falo por mim, sinto que regresso desta peregrinação mais ‘rico’”, referiu.

D. Sérgio Dinis realçou que “Santa Teresa e São Filipe de Néri” não pedem aos militares que abandonem tudo, mas que não sejam escravos de nada.

O testemunho mais poderoso que podeis dar não é contar o que vistes em Lourdes, mas mostrar, nos dias que se seguem, o que Lourdes operou em vós”, indicou.

“Filipe de Néri dizia que a alegria é uma das coisas mais sérias do mundo. Levai essa alegria, séria e profunda, nascida do encontro com o Senhor, para os vossos lugares, as vossas famílias, as vossas missões”, pediu.

No final da homilia, o bispo do Ordinariato Castrense ressaltou que a peregrinação não terminou ontem, mas começa hoje, na cidade de Santa Teresa, “onde a pedra e o céu se tocam”.

“Sede santos. Confiai na promessa. Testemunhai. São Filipe de Néri — rogai por nós. Santa Teresa de Jesus — rogai por nós”, finalizou.

A celebração contou com a animação dos cadetes da Academia Militar e pela Fanfarra do Exército.

LJ/OC

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