Porto: Bispo dá início a Sínodo Diocesano, que decorre até 2028

Decreto de D. Manuel Linda alerta para «rutura entre clero e leigos»

Foto: Voz Portucalense

Porto, 24 mai 2026 (Ecclesia) – O bispo do Porto, D. Manuel Linda, deu hoje início ao Sínodo Diocesano, que se prolonga até 2028, durante a Missa que presidiu na solenidade de Pentecostes.

“Com esta celebração, declaro aberto o Sínodo Diocesano do Porto”, anunciou o responsável, na Sé do Porto.

“Não se trata de fazer programas mundanos, mas de invocar o vento do Espírito que renova a Igreja e alarga os horizontes do amor”, acrescentou D. Manuel Linda, numa intervenção divulgada pelo jornal diocesano ‘Voz Portucalense’.

O responsável católico sublinhou que Pentecostes e sinodalidade estão “profundamente ligados”.

“Ambos celebram o Espírito Santo que transforma uma Igreja tímida ou de hábitos adquiridos num Povo de Deus dinâmico e em movimento para se aproximar do mundo que tem de ser salvo”, referiu D. Manuel Linda.

A celebração de Pentecostes, 50 dias depois da Páscoa, evoca o momento em que os apóstolos recebem o Espírito Santo, num acontecimento “prodigioso”, sublinhou o bispo do Porto.

Nesse dia, aconteceu algo de prodigioso: uma força vinda do Alto, o Espírito Santo, tomou conta dos corações e da mente daqueles homens tímidos e medrosos, deu-lhes coragem para se dirigirem à multidão e sabedoria para falar na linguagem que ela entendesse. E eles abriram as portas, saíram e voltaram a ligar-se com o mundo ao qual o Senhor Jesus já os tinha enviado.”

A homilia apresentou a sinodalidade como “um estilo de vida centrado em Jesus Cristo”.

“A sinodalidade não é uma organização burocrática ou mera assembleia, mas um acontecimento espiritual, um estilo de vida centrado em Jesus Cristo que, na força do seu Espírito Santo, a todos congrega em fraternidade e responsabilidade. Não se trata de fazer programas mundanos, mas de invocar o vento do Espírito que renova a Igreja e alarga os horizontes do amor”, precisou.

A homilia destacou que, “sem um sínodo formal, a sinodalidade corre o risco de carecer de perspicácia e eficácia na tomada de decisões”.

“O sínodo diocesano é o acontecimento concreto e com um prazo determinado que institucionaliza este método. É que, sem uma cultura sinodal disseminada, um sínodo corre o risco de ser estéril; mas, sem um sínodo formal, a sinodalidade corre o risco de carecer de perspicácia e eficácia na tomada de decisões”, acrescentou.

Foto: Miguel Mesquita/Diocese do Porto

No final da celebração foi lido o decreto episcopal de convocação do Sínodo Diocesano, que aponta para a urgência de uma maior articulação interna, de modo a potenciar a intervenção de todos os fiéis.

“Além disso, supera a rutura entre clero e leigos, valorizando os carismas de cada batizado”, estabelece o documento assinado por D. Manuel Linda.

O responsável católico sustenta que a assembleia diocesana vai funcionar como uma forma prática de colocar a comunidade em ação.

“Num tempo em que a sinodalidade se afigura como a via mais válida para reconduzir a Igreja conciliar ao encontro de si própria e a inserir na senda da missão, um sínodo diocesano é sempre um instrumento institucional que exprime e traduz a ‘Igreja em movimento’ a nível local”, justifica.

A reflexão afasta o risco de confundir este processo com dinâmicas partidárias ou de debate puramente humano.

“Proporciona escuta e discernimento, pois o sínodo não é um parlamento, mas um espaço de oração e diálogo onde se analisam os ‘sinais dos tempos’ para se oferecerem respostas pastorais aos grandes desafios contemporâneos”, precisa o bispo do Porto.

O decreto determina a mobilização geral da diocese em torno de diretrizes focadas no rejuvenescimento comunitário.

“Hei por bem convocar a Igreja do Porto para um Sínodo Diocesano, sob o lema ‘Ser Porto: formar, reformar, transformar’, a teor do cân. 462 §1, que terminará na solenidade de Pentecostes de 2028”, estipula.

“Agora, importa dar voz a todo o Povo de Deus. Para mais, não temos valorizado este rico instrumento que é o Sínodo. Parece que o último, aqui realizado, foi já em 1710”, assinalou D. Manuel Linda.

O documento determina ainda que a convocatória seja lida publicamente em todas as celebrações eucarísticas dos dias 30 e 31 de maio.

OC

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