Igreja/Sociedade: Encontro dos Cabo-Verdianos na Diocese do Algarve incentivou ao «respeito pela diversidade das culturas»

Cónego Carlos César Chantre destacou «objetivo comum» de «tornar o mundo melhor»

Foto: Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Faro, 04 mai 2026 (Ecclesia) – A Diocese do Algarve acolheu o Encontro dos Cabo-Verdianos 2026, a comunidade do país lusófono nesta região celebrou a fé e a cultura, no Santuário de Nossa Senhora da Piedade, no dia 1 de maio, em Loulé.

“Algumas pessoas especiais deviam vir aqui ver como é que se faz no respeito pela diversidade das culturas, para poderem ver como é que é possível sermos felizes e vivermos em harmonia”, disse o vigário-geral da Diocese do Algarve, natural de Cabo Verde, no santuário louletano da «Mãe Soberana», informou o jornal diocesano ‘Folha do Domingo’, esta segunda-feira, dia 4 de maio

O cónego Carlos César Chantre afirmou que “todos diferentes e todos filhos da mesma criação”, todos diferentes e “todos filhos do mesmo Deus”.

“Este mosaico de diferença é uma coisa maravilhosa, sermos todos diferentes, mas termos um objetivo comum: tornar o mundo melhor”, acrescentou, na homilia no dia 1 de maio.

A Missa do 32.º Encontro dos Cabo-Verdianos contou também com uma atuação dos jovens luso-cabo-verdianos da Diocese do Algarve que evocaram o tema do respeito intercultural.

“Os cabo-verdianos são uma prova provada que é possível descobrir beleza mesmo em sítios que parecem ser feios. Que as gerações mais novas de cabo-verdianos que nasceram fora de Cabo Verde tenham consciência das suas raízes, da beleza do seu povo e da beleza do seu avô e da sua avó, que tanta importância damos em Cabo Verde”, desenvolveu o sacerdote.

O vigário-geral da Diocese do Algarve destacou que os seus compatriotas em Cabo Verde vivem num país de natureza “agreste” com “ilhas pobres e secas”, mas são “um povo alegre, dançante, e cantante”, descobriram no meio da pobreza “a riqueza de ser um povo alegre”, e isso “é uma vitória”.

Segundo o cónego Carlos César Chantre, natural de Cabo Verde, “o canto e o ritmo da música contrasta com a tristeza no rosto de muita gente de terras mais ricas”.

“Saibam os europeus beber esta riqueza, já que foram os europeus que levaram a riqueza de Jesus Cristo àquelas terras de Cabo Verde e a todas as terras africanas que hoje falam a língua portuguesa”, acrescentou.

A Diocese do Algarve informa que a comunidade de Cabo Verde tem “mais de meio século de presença no concelho de Loulé”, os primeiros cabo-verdianos fixaram-se na construção da fábrica de cimento da Cimpor, “e não parou de aumentar”, nos primeiros anos, na sua maioria, eram trabalhadores do setor da restauração, da hotelaria e da construção civil.

O vigário-geral do Algarve lembrou a “beleza daquelas ilhas que atraem todos os outros africanos irmãos”, e o povo cabo-verdiano celebra a “festa do povo de Deus, em toda a sua diversidade, particularmente a de coloração africana”. O sacerdote lembrou, particularmente, as “grandes festas” na ilha do Fogo como a “Festa das Bandeiras” e a “corrida de cavalos”.

O cónego Carlos César Chantre destacou que neste Encontro dos Cabo-Verdianos, no 1.º de Maio, celebram “a festa do trabalhador à maneira de Jesus Cristo, defendendo a dignidade humana com as armas do amor e do perdão que Jesus utilizou”, divulga o jornal ‘Folha do Domingo’, da Diocese do Algarve.

Após a Missa no Santuário de Nossa Senhora da Piedade, que incluiu a nomeação dos “juízes” do próximo ano, o encontro continuou com o almoço-convívio, no salão de festas da Câmara Municipal de Loulé.

A Eucaristia foi concelebrada pelo pároco de Loulé e reitor do santuário mariano, cónego Carlos de Aquino, o seu capelão, padre Carlos de Matos, e pelo assistente do Secretariado da Mobilidade Humana do Algarve, o padre Paulinus Anyabuoke.

CB/OC

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