Vaticano: Papa aponta envolvimento dos cidadãos na política como o «melhor antídoto contra os populismos»

Leão XIV encontrou-se com membros do Partido Popular Europeu, enfatizando que perseguir um ideal não significa exaltar uma ideologia

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 25 abr 2026 (Ecclesia) – O Papa defendeu esta manhã, no Vaticano, que o envolvimento das pessoas na política é a melhor forma de combater o populismo e o elitismo, num encontro com os membros do Partido Popular Europeu, no Parlamento Europeu.

“A presença no meio das pessoas e o seu envolvimento no processo político são o melhor antídoto contra os populismos que procuram apenas um consenso fácil e contra os elitismos que tendem a agir sem consenso: duas tendências difundidas no panorama político atual. Uma política ‘popular’ requer tempo, partilha de projetos e amor pela verdade”, afirmou Leão XIV.

Na intervenção partilhada pela Sala de Imprensa da Santa Sé, o pontífice destacou que “um dos problemas da política nos últimos anos é a constante diminuição da sintonia, da colaboração e do envolvimento recíproco entre o povo e os seus representantes”.

Neste sentido, o Papa entende que “é necessário recriar um tecido de ‘povo’, um contacto pessoal entre o cidadão e o deputado, para poder responder eficazmente, à luz do horizonte ideal, aos problemas concretos das pessoas”.

“Recorrendo a uma metáfora, poderíamos dizer que, na era do ‘triunfo digital’, a ação política autenticamente orientada para o bem comum requer um regresso ao ‘analógico’”, referiu.

Para Leão XIV, “para superar uma certa desilusão com a política, é necessário reconquistar as pessoas indo ao seu encontro pessoalmente e reconstruindo uma rede de relações no território, de modo que todos se possam sentir parte de uma comunidade e participantes no seu destino”.

Na audiência com parlamentares do Partido Popular Europeu, o Papa indicou que “a principal missão de toda a ação política” é “perseguir um ideal”, sublinhando que isso não significa “exaltar uma ideologia”.

“Esta última é, de facto, sempre fruto de uma mistificação da realidade e de uma violência sobre ela. Qualquer ideologia distorce as ideias e subjuga o homem ao seu próprio projeto, mortificando as suas verdadeiras aspirações, o seu anseio pela liberdade, pela felicidade e pelo bem-estar pessoal e social”, destacou.

O Papa referiu o caso da Europa contemporânea que surge “precisamente da constatação do fracasso dos projetos ideológicos que a destruíram e dividiram”.

Foto: Vatican Media

No encontro, Leão XIV refletiu ainda sobre o que é ser cristão na política, realçando que “não significa ser confessional, mas deixar que o Evangelho ilumine as decisões que devem ser tomadas, mesmo aquelas que não parecem suscitar um consenso fácil”.

“Significa trabalhar para que não se perca a ligação entre a lei natural e a lei positiva, entre as raízes cristãs e a ação política”, acrescentou, evidenciando ainda a importância ter uma visão realista, que “parta dos problemas concretos das pessoas”.

“Ser cristãos empenhados na política significa investir na liberdade, não numa liberdade banalizada e reduzida ao prazer, mas numa liberdade ancorada na verdade, que proteja a liberdade religiosa, de pensamento e de consciência em todos os lugares e condições humanas”, disse ainda.

Entre os presentes na audiência estiveram o presidente do Partido Popular Europeu, Manfred Weber, e Mairead McGuinness, enviada Especial da União Europeia para a liberdade religiosa.

LJ

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