Setúbal: Bispo condena instrumentalização do nome de Deus para fazer a guerra, em encontro ecuménico e inter-religioso pela paz

Representantes das confissões católica, judaica, muçulmana e ortodoxa reuniram-se no Museu de Almada

Foto: Ricardo Perna/Diocese de Setúbal

Almada, 25 abr 2026 (Ecclesia) – O bispo de Setúbal, D. Américo Aguiar, condenou esta quinta-feira a instrumentalização da palavra de Deus para provocar a violência, num encontro ecuménico e inter-religioso pela paz, que decorreu no Museu de Almada.

Perante representantes das confissões católica, judaica, muçulmana e ortodoxa, o cardeal destacou a urgência de substituir o medo pelo conhecimento mútuo.

“Se aceitamos aprofundar as razões da nossa fé, encontramos a fraternidade universal”, referiu o bispo diocesano, reforçando que “não há nenhuma hipótese de justificar destruir nada usando a Palavra de Deus”.

De acordo com a Diocese de Setúbal, D. Américo Aguiar defendeu que a chave para a harmonia social reside na proximidade, sublinhando que “o desconhecimento gera medo e o medo justifica tudo”, cabendo aos líderes religiosos alimentar a estima que vence o preconceito.

Da Comunidade Islâmica do Sul do Tejo, o Sheikh Adil Karim lembrou que a divindade é comum a todos, independentemente da designação utilizada, observando que “este tipo de encontros faz florescer essa luz que por vezes anda apagada”.

A participar no encontro esteve também o padre Constantino Paladi, da Comunidade Ortodoxa de São Jorge, que abordou a responsabilidade individual, salientando que o homem espiritual difunde a paz “não pela dureza ou força, mas pelo exemplo”.

O sacerdote ortodoxo reiterou que “ninguém pode justificar a guerra com Deus”, sendo esta uma ideia também reforçada pelo padre José Pinheiro, vigário-geral da Diocese de Setúbal, que apontou o serviço ao próximo e o desejo de santidade como o guia fundamental para a convivência humana.

A iniciativa contou com a presença do vice-presidente da Câmara Municipal de Almada, Filipe Pacheco, que considerou uma honra para o município acolher um encontro daquela natureza.

O autarca reconheceu o papel vital das religiões na coesão social e criticou a instrumentalização da fé, classificando como uma “perversão sem escrúpulos da natureza humana” o facto de se subverterem ensinamentos religiosos para validar conflitos.

Filipe Pacheco alertou para a gravidade de ver quem lança a guerra elevar-se como promotor da paz, deixando, contudo, uma nota de esperança ao afirmar que “por mais discórdia que haja, é possível construir a paz”.

O encontro terminou com D. Américo Aguiar a apelar a que as diferentes culturas e confissões façam um caminho conjunto, respeitando a diversidade e garantindo que “o nome de Deus não sirva para fazer guerra”.

No final, um grupo de crianças do Centro Social e Paroquial Padre Ricardo Gameiro entoou o Hino da Alegria, soltou alguns balões e foram ainda libertadas algumas pombas em nome da Paz.

A iniciativa ecuménica e inter-religiosa pela paz inseriu-se na visita pastoral do bispo de Setúbal à Cova da Piedade, que se prolonga até 27 de abril.

Em janeiro, o bispo de Setúbal iniciou visitas pastorais às 57 paróquias da diocese, com duração prevista até 2028.

LJ

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