Proteção de menores: «É muitíssimo importante dar o lugar que devem ter as comissões diocesanas», afirma D. Virgílio Antunes

Novo presidente da Conferência Episcopal rejeita a possibilidade de uma «terceira comissão» e lembra que vai ser definido «exatamente o modelo» a seguir

Foto: Agência ECCLEISA/TAM

Coimbra, 24 abr 2026 (Ecclesia) – O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) disse que o tema dos abusos sexuais “é absolutamente incontornável” na Igreja Católica, afirmando que a instituição “tem de cuidar das vítimas” dando o lugar às comissões diocesanas que “devem ter”.

“Como dissemos na última Assembleia Plenária ou na conferência de imprensa, vamos reunir-nos com as comissões diocesanas e com o Grupo Vita para definirmos exatamente o modelo que devemos seguir nos tempos futuros, porque achamos que é muitíssimo importante dar o lugar que devem ter as comissões diocesanas, que são um órgão existente em cada uma das dioceses e que nos foi pedido pela Santa Sé”, afirmou D. Virgílio Antunes em entrevista à Agência ECCLESIA.

Questionado sobre a continuidade do Grupo Vita, o novo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa referiu que “o caminho futuro” na escuta e acompanhamento das vítimas de abuso sexual na Igreja Católica deve ser continuado pelo trabalho das comissões diocesanas, sem excluir o apoio de “outras pessoas”.

“Eu não sei o que vai acontecer. Mas, um outro grupo com uma identidade semelhante, uma terceira comissão, não sei se irá existir”, sublinhou o bispo de Coimbra.

O novo presidente da CEP adiantou a possibilidade do contributo específico de pessoas que “não estão envolvida nas atividades da Igreja”, lembrando o perfil profissional dos membros das comissões diocesanas, nomeadamente psicológicos, pedopsiquiatras, juristas, juízes, pessoas que trabalham nas Forças de Segurança.

“Esse tipo de profissionais acaba por estar presente em todas as instituições que foram sendo criadas, Grupo Vita e comissões diocesanas. Mas veremos como é que vai ser a evolução nos próximos tempos”, sublinhou.

Questionado sobre a importância da comunicação na Igreja Católica, nomeadamente na garantia da “tolerância zero” no tema dos abusos sexuais, D. Virgílio Antunes afirmou que, numa temática “tão dramática”, “haveria sempre perceções diferentes da realidade, dos acontecimentos”.

D. Virgílio Antunes foi eleito presidente da Conferência Episcopal Portuguesa na Assembleia Plenária que decorreu em Fátima, entre os dias 13 e 16 de abril, numa reunião que escolheu também os presidentes das comissões episcopais, que coordenam os vários setores da pastoral na Igreja Católica em Portugal.

“Foram nomeados bastantes bispos, alguns bispos diocesanos, um grupo bastante grande de bispos auxiliares e que trazem, inclusivamente, uma formação teológica diferente dos mais velhos, trazem uma inserção na sociedade também diferente, um modo de ver a Igreja também diferente”, afirmou.

O novo presidente da CEP disse que “há sangue novo, há ideias novas, há perspetivas novas, há sensibilidades novas” na Igreja Católica em Portugal.

“O facto de, para as comissões episcopais, terem sido eleitos bispos mais novos, alguns até de muito recente nomeação, só pode trazer aquela novidade do Espírito Santo, quer que exista na Igreja de hoje”, acrescentou.

A entrevista ao novo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa vai ser emitida no programa Ecclesia da próxima segunda-feira, na RTP2, pelas 15h00, e publicada integralmente no mesmo dia no portal da Agência ECCLESIA, assim como nas respetivas redes sociais.

PR

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