Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa espera que a nova legislação laboral respeite «os direitos das pessoas que trabalham e que são criadoras de riqueza»

Coimbra, 24 abr 2026 (Ecclesia) – O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa vai participar pela primeira vez na sessão comemorativa do 25 de abril “com muito gosto” e também com “alguma curiosidade”, lembrando, neste contexto, o papel da Igreja Católica na construção da democracia.
“A Igreja Católica é uma parceira importante na edificação da democracia, sem fazer a tal política partidária, mas tem sido uma presença grande na transformação da sociedade”, disse D. Virgílio Antunes em entrevista à Agência ECCLESIA.
Para o novo presidente da CEP, há “algumas áreas” em que a presença de instituições ligadas à Igreja Católica marcou os últimos 50 anos, nomeadamente na “assistência às pessoas em situações de maior debilidade, crianças, jovens, adultos, idosos”, no ensino, que é “um setor tão importante da vida de qualquer comunidade”, assim como na criação da “consciência da responsabilidade na edificação do bem de todos e do bem comum”.
Sobre o debate em torno da legislação laboral, o novo presidente da CEP deseja que se “chegue à melhor lei”, que respeite “os direitos das pessoas que trabalham e que são criadoras de riqueza, e que o país reconheça que também “as empresas são absolutamente indispensáveis para a criação da mesma riqueza”
“Felizmente, as pessoas vão dialogando e vão dialogar e o que eu espero é que se chegue a uma lei que seja justa para todos dentro da sociedade portuguesa e que permita o crescimento, o aumento da riqueza e o bem-estar social das populações”, acrescentou.
D. Virgílio Antunes sublinhou que a “precariedade excessiva é sempre uma coisa negativa”, uma vez que é necessário “ter algumas seguranças na vida”, rejeitando também uma relação laboral que seja “intocável”.
Questionado sobre a crescente polarização política em Portugal e no mundo, o presidente da CEP disse que o essencial é que “as pessoas todas estejam determinadas a viver num ambiente de respeito pelos outros e também por aquilo que é uma conquista das sociedades modernas num regime democrático”.
Para o também bispo de Coimbra, é necessário que a democracia seja a garantia do “respeito entre as pessoas” e da “capacidade de ouvir os outros”, respeitando as maiorias.
Toda a gente tem o direito de expressar o seu próprio modo de ver e de pensar, mas de uma forma civilizada, de uma forma dialogante, de uma forma adequada para as circunstâncias, e não há circunstância em que isso não deva acontecer”.
O presidente da CEP lembrou, referindo os pronunciamentos recentes do Papa Leão XIV, que o aproveitamento do discurso religioso para fins políticos é um “perigo muitíssimo grande”, nomeadamente quando em causa estão “fins eleitoralistas” ou afirmações de poder a respeito de “causas sobre as quais não há consensos”.
“O respeito pela pessoa humana e pelo migrante e pelos que trabalham e pelas famílias e pela vida, são questões das quais a Igreja não pode prescindir, inclusive tem o dever de o manifestar, independentemente de serem defendidas mais à direita, mais à esquerda ou seja por quem for”, afirmou.
D. Virgílio Antunes, bispo de Coimbra, foi eleito presidente da Conferência Episcopal Portuguesa para o mandato 2026-2029, na Assembleia Plenária que decorreu entre os dias 13 e 16 de abril, em Fátima; a entrevista à Agência ECCLESIA, onde analisa também temáticas relacionadas com a vida da Igreja em Portugal, vai ser emitida no programa Ecclesia da próxima segunda-feira, dia 27, na RTP2, pelas 15h00, e publicada integralmente nesse dia, na Agência ECCLESIA.
PR
