D. António Moiteiro lembrou que «os pobres não são uma categoria sociológica», citando a exortação «Dilexi Te»

Aveiro, 02 abr 2026 (Ecclesia) – O bispo de Aveiro afirmou hoje que o relato do lava-pés, de jesus aos seus discípulos, obriga “a refletir na Eucaristia enquanto comunhão e caridade com os irmãos”, na homilia da Missa da Ceia do Senhora, na Sé.
“Aprendamos a lavar os pés dos nossos irmãos, sejam os últimos da sociedade, os sem-abrigo ou os imigrantes abandonados à sua sorte e explorados por tantos que não vivem o mandamento novo do amor: ‘Amai-vos como Eu vos amei’”, disse D. António Moiteiro, na homilia enviada à Agência ECCLESIA.
Na homilia da Missa Vespertina da Ceia do Senhor, que assinala o início da celebração do Tríduo Pascal, o bispo de Aveiro salientou que o relato do Lava-pés obriga-os “a refletir na Eucaristia enquanto comunhão e caridade com os irmãos”, que nasce da comunhão do “Corpo e Sangue de Jesus”.
Neste sentido, D. António Moiteiro citou o Papa Leão XIV que, na sua Exortação Apostólica ‘Dilexi Te – sobre o amor para com os pobres’, escreve que para os cristãos “a questão dos pobres remete-nos à essência da fé”, e acrescenta que a realidade para os cristãos é que “os pobres não são uma categoria sociológica, mas a própria carne de Cristo”.
O bispo de Aveiro explicou que nesta noite de Quinta-feira Santa, início do Tríduo Pascal de Jesus que celebra a sua “entrega pela humanidade”, fazem memória de “três grandes acontecimentos da nossa fé”.
“Comemoramos a Páscoa dos judeus, imagem da Páscoa cristã, o mandamento novo no gesto do lava-pés e a instituição do sacramento da ordem, que qualifica os ministros ordenados para celebrarem o sacramento da Eucaristia, isto é, memorial da morte e ressurreição de Jesus”, indicou.
Segundo D. António Moiteiro, “o próprio Senhor que se entregou na cruz” oferece-se à sua comunidade “a partir da sua vida gloriosa, por meio da Eucaristia”, e essa presença não termina no pão e no vinho, “presença real do ressuscitado, mas na comunidade que o come e recebe”.
“Receber dignamente o corpo e sangue do Senhor significa a atitude da caridade fraterna, reconhecendo na comunidade o corpo de Cristo e imitando a entrega pelos outros do próprio Senhor”, realçou.~
A Missa da Ceia do Senhor faz memória da instituição da Eucaristia, o bispo de Aveiro assinalou que cada cristão deve “examinar-se” para que “a celebração não só esteja de acordo com a letra”, mas também com o espírito que Cristo lhe atribuiu, “que é ser alimento e juiz ao mesmo tempo”.
CB



