Setúbal: D. Américo Aguiar pede aos padres «atenção renovada à doença, à morte e ao luto»

«O mundo não espera de nós discursos perfeitos, mas testemunhos credíveis» apontou o cardeal na Missa Crismal na Sé de Setúbal

Foto Ricardo Perna, Diocese de Setúbal

Setúbal, 02 abr 2026 (Ecclesia) – O cardeal D. Américo Aguiar pediu hoje aos sacerdotes que celebraram a Missa Crismal na Sé de Setúbal, “uma atenção renovada e cuidada à doença, à morte e ao luto”.

“São momentos onde a vida se revela na sua maior fragilidade e onde a presença da Igreja não pode faltar. Somos ungidos para estar, para escutar, para acompanhar e para consolar. Nem sempre teremos respostas, mas somos sempre chamados a oferecer presença — uma presença que, quando é verdadeira, se torna sinal de esperança e expressão da ternura de Deus”, afirmou aos participantes na celebração, durante a homilia enviada à Agência ECCLESIA.

O responsável da diocese sadina quis agradecer o ministério sacerdotal dos padres que ali colaboram: “Permiti-me dizer, com simplicidade e verdade: obrigado. Obrigado pelo vosso ministério fiel ao longo deste último ano, pela Eucaristia celebrada diariamente, pela Palavra anunciada com dedicação, pela proximidade concreta às pessoas nas suas alegrias e nas suas dores”.

O agradecimento, indicou, não esconde as “fragilidades, cansaços e momentos de crise”, indicou D. Américo Aguiar que pediu também uma “responsabilidade” partilhada de “cuidar uns dos outros, com verdade, proximidade e caridade”.

Na Missa Crismal, ocasião de “única, irrepetível, onde cada é chamado a reencontrar o sentido mais profundo da vocação e do ministério, no coração da Igreja e ao serviço do Povo de Deus”, o cardeal de Setúbal quis lembrar que o sacerdote é enviado “para os outros”: “Não somos sacerdotes por função, mas por unção. Não somos enviados para nós próprios, mas para os outros — sobretudo para aqueles que mais precisam de esperança, de proximidade e de sentido”.

Esta missão exige, explicou, “disponibilidade interior, uma coerência de vida e uma capacidade real” para “tocar as situações humanas”.

“Num mundo profundamente marcado pela violência, pela guerra e pela insegurança — onde tantos continuam privados da possibilidade de viver a fé em paz — ressoa com ainda maior urgência a saudação do Ressuscitado: “A paz esteja convosco”. Esta paz, como nos recorda o Papa Leão XIV, não é frágil nem superficial; é uma paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante, que nasce do amor incondicional de Deus e que se torna credível quando encontra testemunhas”, indicou.

Foto Ricardo Perna, Diocese de Setúbal

D. Américo Aguiar quis ainda saber: “Somos, de facto, homens que levam esta paz? A nossa presença aproxima ou afasta? As nossas palavras constroem ou ferem? A nossa ação pastoral liberta e consola, ou corre o risco de se tornar distante e funcional?”.

“Ao regressarmos às nossas comunidades, levamos connosco não apenas um conjunto de tarefas, mas uma identidade renovada. O mundo não espera de nós discursos perfeitos, mas testemunhos credíveis. Espera encontrar em nós homens que vivem aquilo que anunciam”, pediu.

A Missa Crismal reúne os sacerdotes na Sé de cada diocese e durante a celebração são benzidos os óleos destinados ao Crisma, aos doentes e à celebração do Batismo; é nesta Eucaristia que os padres renovam as promessas sacerdotais.

LS

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