Sacerdotes defendem presença nas redes sociais com «autenticidade» e rejeitam obsessão com «likes»

Lisboa, 16 mar 2026 (Ecclesia) – O padre Pedro Figueiredo, missionário digital do Patriarcado de Lisboa, desafiou os responsáveis católicos a ocupar o espaço das redes sociais com propostas genuínas, que vão ao encontro das pessoas.
“Não precisam de pôr coisas perfeitas, não é preciso ser perfeito nas redes sociais. Muitas vezes os meus vídeos estão cheios de erros e é ser autêntico. As pessoas estão à procura de humanidade”, disse o sacerdote, em entrevista ao Programa ECCLESIA, emitido hoje na RTP2.
O missionário digital esteve acompanhado pelo padre Tiago Melo, diretor-geral da Paulus, analisando o recente relatório do grupo de estudo sinodal dedicado ao ambiente digital.
Os dois sacerdotes defenderam a necessidade de os católicos habitarem as redes sociais com autenticidade.
“Este relatório final vai trazer-nos aqui algumas ferramentas, na verdade mais do que ferramentas, são observações”, declarou o padre Tiago Melo.
Já o padre Pedro Figueiredo, vigário paroquial nos Olivais, partilhou a sua experiência na criação de conteúdos curtos e diretos nas plataformas online, conhecidos como “homilias express”, indicando que o objetivo é gerar proximidade e encaminhar as pessoas para as comunidades físicas.
“O objetivo não é bem ocupar um espaço, mas é gerar alguma proximidade. Esta missão também tem algo de provocador para nós e engraçado, que o nosso objetivo é entrar no digital e fazer com que as pessoas venham ter connosco ao real”, indicou o sacerdote.
O padre Tiago Melo alertou para a importância de uma ação concertada que parta das bases, envolvendo paróquias e sacerdotes, que “tome consciência do papel da comunicação”.
No campo da formação, o responsável da Paulus revelou que a instituição está a preparar cursos para capacitar as comunidades locais, dando sequência à herança comunicativa do fundador da congregação, o padre Tiago Alberione.
“E agora temos um projeto que tem de sair do papel, são cursos, formações para as pessoas, para poderem produzir vídeos, como o padre Pedro faz, para poderem editar vídeos, fotografias, escreverem textos, ao serviço de suas comunidades locais”, anunciou.
O debate abordou a transposição das fronteiras geográficas tradicionais através da internet, com o sacerdote do Patriarcado de Lisboa a exigir atenção para se não cair numa busca excessiva por popularidade ou visualizações.
“Esta é uma grande tentação, os documentos falam sobre isto, sobre a necessidade de nós padres não nos perdermos nos ‘likes’, não nos perdermos nas visualizações, porque aquilo surge um ‘rush’ em nós, surge ali uma ansiedade, e é muito difícil lidar com o que as pessoas comentam”, assumiu o padre Pedro Figueiredo.
PR/OC
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