Vaticano: Papa afirma que teologia ultrapassa círculo de «especialistas» e pede combate à indiferença

Leão XVI recebeu membros de duas instituições académicas da Itália

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 03 mar 2026 (Ecclesia) – O Papa afirmou esta segunda-feira que a formação teológica deve ir para lá de um círculo de peritos, apresentando-a como um instrumento decisivo para combater as lógicas da resignação e da indiferença.

“A formação teológica não é um destino reservado a poucos especialistas, mas um chamamento dirigido a todos, para que cada um possa aprofundar o mistério da fé e receber os instrumentos necessários para prosseguir com paixão o compromisso perseverante com a mediação cultural e social do Evangelho”, referiu Leão XIV, durante uma audiência aos membros da Faculdade de Teologia da Puglia e do Instituto Teológico da Calábria, no Vaticano.

“O católico não deve ter medo do mar aberto, e não deve buscar o abrigo de portos seguros”, acrescentou.

Na intervenção, divulgada pela Santa Sé, o pontífice elogiou o esforço de unificação das duas instituições do sul de Itália.

“Ao fazer teologia juntos, os horizontes intelectuais, espirituais e pastorais ampliam-se e entrelaçam-se, gerando perspetivas comuns e um compromisso eclesial mais encarnado no território”, sustentou.

A reflexão papal alertou para os problemas sociais que afetam o sul de Itália, como a crise laboral, a emigração, a opressão e várias formas de injustiça.

Neste contexto, indicou Leão XIV, formação assume-se como um “investimento cultural para o futuro capaz de neutralizar as lógicas da resignação e da indiferença”, através da geração de um “pensamento crítico e profético”.

O encontro na Sala Clementina terminou com um apelo à continuidade deste projeto de comunhão eclesial, num verdadeiro “laboratório” de estilo sinodal.

“Convido-os a sonhar uma comunidade académica onde os candidatos ao ministério ordenado, os consagrados e as consagradas, e os leigos e leigas se formem juntos e ajudem as comunidades cristãs a tornarem-se sinais do Evangelho e canteiros de esperança”, concluiu o Papa.

OC

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