Papa recebeu quatro comunidades de Seminários, em Espanha, a cultivarem uma «visão sobrenatural da realidade»

Cidade do Vaticano, 28 fev 2026 (Ecclesia) – O Papa Leão XVI pediu hoje aos seminaristas para “permanecerem” na relação com “Deus” e “deixarem-se formar interiormente”, numa “rotina diária” em ordem a uma “vida espiritual com frutos”.
“A vida espiritual não dá frutos por causa do que é visível, mas por causa do que está profundamente enraizado em Deus. Quando essa raiz é negligenciada, tudo acaba por secar por dentro, até que, silenciosamente, acaba por «morrer em pé»”, afirmou Leão XIV esta manhã ao receber em audiência comunidades dos Seminários de Alcalá de Henares, de Toledo, de Cartagena e Seminário Interdiocesano da Catalunha, todos em Espanha.
“Diz-se que as árvores «morrem em pé»: permanecem eretas, mantêm a sua aparência, mas por dentro já estão secas. Algo semelhante pode acontecer na vida de um seminário ou de um seminarista — e mais tarde na vida de um sacerdote — quando a fecundidade é confundida com a intensidade das atividades ou com o cuidado meramente externo com as aparências”, acrescentou.
O Papa indicou, aos seminaristas e famílias, que a formação sacerdotal deve ter como fundamento a “permanência” em Deus, e o “deixar-se formar interiormente”, testemunhando e reconhecendo o agir de Deus “na vida e na vida do povo”.
“Embora os meios humanos, a psicologia e as ferramentas formativas sejam valiosos e necessários, eles não podem substituir essa relação. Tudo começa agora, na rotina comum de cada dia, onde cada um decide se permanecer com o Senhor ou tentar sustentar-se apenas com as próprias forças”, sublinhou.

Leão XIV convidou os seminaristas e as comunidades formativas a cultivar uma “visão sobrenatural da realidade”, sublinhando que o homem não foi criado para “viver fechado em si mesmo, mas numa relação viva com Deus”.
“Quando essa relação é obscurecida ou enfraquecida, a vida começa a cair na desordem a partir de dentro. O antinatural não é apenas o escandaloso; basta viver sem Deus na vida quotidiana, deixando-o fora dos critérios e das decisões com que enfrentamos a existência. E se isto é verdade para todos os cristãos, é particularmente grave no caminho da formação para o sacerdócio”, reconheceu.
“O que poderia ser mais antinatural do que um seminarista ou padre que fala de Deus com familiaridade, mas vive interiormente como se a presença de Deus existisse apenas nas palavras e não na profundidade da vida? Nada seria mais perigoso do que habituar-se às coisas de Deus sem viver de Deus”, lamentou.
O Papa explicou que uma “visão sobrenatural” não significa “fugir da realidade” mas “reconhecer a ação de Deus na realidade concreta de cada dia” e que esta visão necessita ser “traduzida em escolhas concretas na vida”, caso contrário “práticas intrinsecamente boas – como o estudo, a oração, a vida comunitária – podem tornar-se vazias e distorcidas, tornando-se mero cumprimento”.
LS
