Organização católica apresentou critérios de aplicação do Fundo de Emergência Social, que recolhe donativos até 28 de fevereiro

Leiria, 18 fev 2026 (Ecclesia) – A Cáritas de Leiria-Fátima apresentou hoje aos autarcas da região os princípios de aplicação do Fundo de Emergência Social, com uma dotação de 1,65 milhões de euros para a recuperação de habitações permanentes danificadas pela tempestade Kristin.
“Este fundo visa, principalmente, apoiar agregados familiares diretamente afetados, ajudando a repor condições mínimas de habitabilidade. Será um instrumento complementar aos apoios públicos e às seguradoras”, explicou Nelson Costa, diretor de serviços da instituição católica, em conferência de imprensa, sublinhando que a prioridade é a “residência principal das pessoas”.
A verba será gerida por uma comissão independente para garantir transparência e rigor técnico na atribuição dos apoios às famílias da região.
A sessão, realizada no Seminário de Leiria, detalhou um modelo de gestão assente no trabalho em rede com os municípios, as juntas de freguesia e as paróquias locais para a identificação das necessidades.
Sobre os critérios de seleção, a equipa técnica reafirmou o compromisso de equilibrar a eficácia da resposta com a sensibilidade perante o sofrimento das populações.
“Iremos procurar equilibrar a humanidade e rigor, porque o rigor sem humanidade é frieza, e humanidade sem rigor é injustiça”, disse Nelson Costa.
O bispo de Leiria-Fátima, D. José Ornelas, defendeu que a administração de bens coletivos deve ser sempre escrutinada para assegurar a credibilidade junto dos doadores e da sociedade.
“Se são bens da Igreja, se são bens da sociedade, se são bens do país, têm de sempre ser escrutinados, isto é, não pode ser nunca uma questão individual a questão da gestão dos bens”, afirmou à Agência ECCLESIA.
Rui Rodrigues, membro da comissão técnica independente, destacou a autonomia da estrutura na análise dos processos e na atribuição dos montantes disponíveis.
“Cabe a esta comissão assegurar tudo isto com rigor, com transparência, mas acima de tudo com imparcialidade”, referiu, enaltecendo que a Cáritas operou nas últimas três semanas “sem utilizar um cêntimo deste fundo” para despesas de logística.
| D. José Ornelas assinalou que, embora catástrofes como a tempestade Kristin não sejam “programáveis”, a resposta imediata demonstrou a eficácia de processos integrados na Proteção Civil, com meios a chegar de diversos pontos do país poucas horas após o vendaval.
Para o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, a mobilização de equipas vindas “desde Guimarães até Beja” prova que existe a “possibilidade de fazer o bem e de organizá-lo” para acudir a situações imprevisíveis, servindo esta experiência como base para aperfeiçoar os mecanismos que não funcionaram totalmente. O responsável sublinhou que a enorme onda de generosidade registada exige uma organização rigorosa para garantir que os bens cheguem adequadamente aos destinos, sobretudo num cenário em que a falta de eletricidade e as estradas impraticáveis obrigaram a que se fizessem “milagres” no terreno. O biso de Leiria-Fátima destacou o papel fundamental da articulação entre o poder local, as paróquias e instituições como a Cáritas, cujo conhecimento prévio das “situações já problemáticas” permitiu uma intervenção mais próxima. |

Em declarações à Agência ECCLESIA, Nelson Costa, diretor de serviços da Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima, sublinhou que o “trabalho em rede” com as autarquias, o poder local e as paróquias é o princípio basilar para garantir uma gestão justa e eficiente do fundo de apoio às vítimas da tempestade. Este esforço conjunto, apresentado em sessão com os municípios e juntas de freguesia, visa assegurar que a aplicação dos recursos financeiros seja fundamentada e chegue de forma coordenada a quem mais precisa no atual contexto de crise da região.
Relativamente ao apoio habitacional e ao impacto socioeconómico, o responsável esclareceu que, embora não se preveja a intervenção direta em casas arrendadas, a Cáritas acompanhará famílias na procura ativa de novas habitações, podendo assegurar um apoio temporário no pagamento de rendas.
Nelson Costa manifestou ainda preocupação com o “impacto enorme” do possível encerramento de empresas e processos de lay-off, garantindo que o fundo está preparado para intervir junto dos agregados familiares que percam rendimentos devido aos estragos causados pelo temporal no tecido empresarial local.
Com os armazéns de bens alimentares e de higiene atualmente “bem preenchidos”, o diretor de serviços apelou a que os novos contributos de solidariedade sejam feitos preferencialmente através de apoio financeiro ao fundo.
Apesar de a fase formal de angariação de verbas decorrer até ao dia 28 de fevereiro, a instituição assegurou que todos os donativos indicados para as vítimas, incluindo as verbas provenientes da renúncia quaresmal de várias dioceses do país, serão devidamente canalizados para este fundo de apoio às famílias.
A Cáritas de Leiria-Fátima está a concluir uma plataforma digital para o registo formal e acompanhamento estruturado dos pedidos, mantendo a disponibilidade para avaliar situações de vulnerabilidade entre a população migrante.
CB/OC
| A Diocese assinala hoje o regresso das celebrações à Sé de Leiria, que passa a acolher a imagem de Nossa Senhora da Encarnação, cujo santuário foi destruído pelo temporal.
“Maria tem a casa dela arruinada completamente e pede à outra igreja que venha ao encontro e ela vai viver lá enquanto não poder voltar para a sua casa”, explicou D. José Ornelas. O bispo de Leiria-Fátima concluiu com um apelo à renovação, exortando os fiéis a serem “reconstrutores de ruínas” e a olharem para o futuro com novas iniciativas. |
