Leiria-Fátima: Bispo centra mensagem da Quaresma no «temporal» vivido na região, sublinhando urgência de criar condições de «conforto» nas casas afetadas

Renúncia quaresmal será destinada a apoiar pessoas e comunidades da diocese atingidas pelo mau tempo

Foto: Agência ECCLESIA/MC

Leiria, 18 fev 2026 (Ecclesia) – O bispo de Leiria-Fátima centrou a mensagem da Quaresma 2026, divulgada hoje, no “temporal” que assolou a diocese e a região centro do país, sublinhando a urgência de devolver condições às casas das famílias afetadas.

“É urgente que, com a iniciativa das próprias famílias e a solidariedade de pessoas e entidades públicas e privadas, se possam criar as condições para encontrar o mais rapidamente possível, não apenas as condições estruturais de conforto, mas também o verdadeiro lugar de encontro, carinho e apoio de todos os que nela vivem”, pode ler-se no texto enviado à Agência ECCLESIA.

D. José Ornelas olha com o “mesmo sentimento de preocupação e empenhamento ativo” para as casas-igrejas onde se reúnem as comunidades da diocese, depois da passagem das tempestades que afetaram Portugal nas últimas semanas.

“Quase todas sofreram também danos e muitas ficaram mesmo impróprias para acolher com segurança a comunidade; do seu património móvel, especialmente imagens e pinturas, muitas ficaram também em risco”, lembrou o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).

Uma delas foi a Igreja de Nossa Senhora da Encarnação, padroeira da cidade de Leiria.

O Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja atualizou, na passada semana, o número de locais de culto danificados pelas tempestades nas últimas semanas, anunciando que são pelos menos 185.

Nesta Quarta-Feira de Cinzas, que marca o início da Quaresma, D. José Ornelas conta que será levada a imagem da Senhora da Encarnação para a Sé, a igreja-mãe das Igrejas da Diocese e que ali “permanecerá até que haja condições para regressar à sua casa e continue a acolher e abençoar a cidade”.

O bispo de Leiria-Fátima assinala que este é “um gesto, também real e simbólico, que deve empenhar todos “a ser uma Igreja que procura casa para quem não a tem ou a perdeu e que se preocupa igualmente – o que já está a acontecer a todos os níveis – em “envidar esforços e colaborações para reparar os danos do temporal nas” igrejas e, “sobretudo, para criar o ambiente de Igreja-família, segundo o acolhimento carinhoso e materno de Maria”.

No que toca à renúncia quaresmal deste ano, o responsável católico informa que esta será destinada “à ajuda de pessoas e comunidades” da diocese, atingidas pela tempestade Kristin.

Este esforço solidário une-se a tantos outros gestos de partilha e solidariedade que estão a ser coordenados pela Cáritas Diocesana, que tem liderado os esforços de recolha e partilha de meios materiais e financeiros para acudir a quem mais precisa”, expressa.

No texto, o bispo evoca a mensagem quaresmal do Papa Leão XIV, que aponta três atitudes concretas que devem marcar o nosso caminho para a Páscoa – a escuta, o jejum e o caminhar juntos, que D. José Ornelas comenta, aplicando-as à situação atual da diocese.

“Nesta Quaresma, somos convidados a tomar a decisão e a assumir o hábito de estar em escuta-comunhão com Deus, pessoalmente e em família, lendo, cada dia, um trecho da Bíblia, deixando que Ele fale ao nosso coração e nos leve a pensar e a agir segundo o Seu coração”, destaca.

D. José Ornelas enfatiza que todos são convidados “a participar na celebração dominical da Eucaristia, para escutar juntos a Palavra” que “convoca e faz participar ativamente na vida e missão da Igreja”.

“É dessa escuta que nasce a verdadeira solidariedade e a força para superar a crise que estamos a sofrer”, defendeu.

Relativamente ao jejum, o presidente da CEP ressalta que este “não se trata simplesmente da abstinência de algo, mas de uma atitude de libertação, de purificação e de empenhamento concreto, na busca da coerência de vida, de relação e de solidariedade para com os outros”.

“Significa um libertar-se das dependências e do encerramento em si próprio; do comodismo que fecha os ouvidos aos gritos de quem precisa; das tentações de mentira e manipulação que ofendem, dividem e excluem; do egoísmo que reduz os outros ao seu serviço, em lugar de se colocar ao serviço do bem de todos”, acrescentou.

Relativamente à última atitude, caminhar juntos, o bispo de Leiria-Fátima lembra que “a vida da Igreja sinodal – comunhão, participação ativa e missão – tem início nesta dimensão comunitária da fé”, que a todos “faz escutar a voz de Deus e aprofundar os laços de comunhão orante, em Igreja”.

“O caminho quaresmal, deve ser um tempo de intensificar esta comunhão ativa que o Espírito gera entre aqueles que recebem o batismo. Que ninguém se sinta ou seja considerado simplesmente como ‘utente’ ou ‘cliente’ da sua comunidade, mas irmão ou irmã corresponsável pela vida e a missão da Igreja”, apelou.

Segundo o bispo diocesano, “é neste espírito de comunhão fraterna e corresponsável, fundado no batismo que se alimentam as Unidades Pastorais”, que “alargam e coordenam a comunhão e a missão de cada comunidade/paróquia, para além dos seus limites geográficos e organizacionais”.

“Deste modo, constituem uma rede de relações e partilha com as paróquias vizinhas, para que ninguém, nem nenhum grupo, se isole da universalidade da Igreja, mas a enriqueça com a diversidade da sua vida, em cada Igreja Local (Diocese)”, desenvolveu.

No final da mensagem, o bispo agradece “a generosa participação nos esforços para minorar as consequências devastadoras da sucessão dos fenómenos meteorológicos” que assolaram a diocese e pede “a bênção do Senhor para o caminho quaresmal” que se inicia. ~

Ainda no texto, D. José Ornelas aborda a realização da Peregrinação anual ao Santuário de Fátima, que se realiza no dia 21 de março, com o lema “Com Maria, somos testemunhas da Esperança”.

LJ/OC

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