Quaresma: Encontro com os outros, com Deus e com cada pessoa motiva a esmola, a oração e o jejum

Bispo do Funchal referiu as três atitudes que caraterizam a preparação para a Páscoa enquanto «necessidade e modo de ajudar a viver o batismo»

Foto Jornal da Madeira

Funchal, 18 fev 2026 (Ecclesia) – O bispo do Funchal presidiu hoje à Missa de Quarta-feira de Cinzas e referiu-se ao Tempo da Quaresma como preparação da Páscoa, centro de toda a vida crista, a partir de três atitudes, a esmola, a oração e o jejum.

Na homilia da Missa no início da Quaresma, na Sé do Funchal, D. Nuno Brás referiu que a esmola, a oração e jejum têm por origem o encontro com os outros, com Deus e com cada pessoa, respetivamente.

“Dar, partilhar, não guardar egoisticamente o que temos, não apenas porque ‘dar nos faz bem’, nos liberta, mas, sobretudo, por causa da realidade do irmão que se encontra ali, bem ao lado, e que necessita da nossa ajuda”, afirmou.

O bispo do Funchal lembrou que a esmola, “na Quaresma ou em qualquer tempo”, cria o hábito de se deixar “interpelar pela realidade” num “mundo cada vez mais egoísta” onde cada pessoa não possui “o necessário para viver”.

“Partilhar a riqueza que nos sobra; partilhar a pobreza do que temos; partilhar até o que nos falta; partilhar, sobretudo, o que somos: todas essas atitudes alargam progressivamente o nosso coração, e fazem a diferença para aqueles que recebem a nossa partilha”, indicou.

D. Nuno Brás referiu-se depois à oração como provocação do encontro com Deus, que escolheu precisar de cada pessoa.

“Deus, criador e Senhor de tudo quanto existe, poderia ter concebido o mundo e cada um de nós de um modo diferente. Escolheu, na sua liberdade infinita, criá-lo deste modo que conhecemos. E quis que partilhássemos da Sua liberdade, quer dizer: da possibilidade de nos construirmos e de construirmos tudo o que se encontra à nossa volta como interlocutores do próprio amor divino. É isso a Liberdade”, afirmou.

O Bispo do Funchal lembrou que o encontro com Deus, criador e redentor, “exige a oração” enquanto “resposta ao seu ato primeiro de amor”,

“Oração que brota da nossa vida agradecida, provocada não raras vezes pelo sofrimento e pelos limites que vivemos e experimentamos, ou que é, simplesmente, expressão do maravilhamento que surge no nosso coração perante as expressões da grandeza e do amor divino de que nos vemos rodeados”, acrescentou o bispo do Funchal, referindo o modo da oração pessoal ou da oração liturgica, como resposta “sempre devida àquele que é o Criador”.

D. Nuno Brás disse também que a terceira atitude que carateriza a Quaresma, o jejum, é provocada pelo encontro de cada pessoa consigo mesma.

“Todos já ouvimos falar do ‘jejum intermitente’ e ninguém se escandaliza com ele. Contudo, muitos se escandalizam quando o jejum tem motivações de vida cristã. Mas o exercício do jejum é escolha daquele que deixa algo que lhe apetece como exercício da vontade animada pela fé”, afirmou.

O bispo do Funchal lembrou que o jejum torna cada pessoa “resiliente” para ser capaz de se abster do pecado que “oferece o pequeno e efémero prazer”, para ter como horizonte “o respeito pelo outro, por Deus, pela criação” e por cada pessoa.

“Trata-se, afinal, de assumirmos que, na nossa vida, não somos conduzidos por aquilo que nos apetece mas por quanto percebemos ser nosso bem e bem para o mundo”, sublinhou.

Na homilia da Missa de Quarta-feira de Cinzas, no primeiro dia da Quaresma, o bispo do Funchal lembrou a importância deste tempo litúrgico, enquanto preparação da festa central na vida cristã, a Páscoa.

“A Quaresma surgiu como necessidade e modo de ajudar a viver o baptismo. Finalmente, todos os demais cristãos foram assumindo como peregrinação espiritual os quarenta dias de penitência que os separavam da Páscoa, procurando, por meio da sua vivência, reavivar a graça do baptismo para poderem celebrar, de coração purificado, as festas pascais”, lembrou D. Nuno Brás.

O bispo do Funchal concluiu referindo-se à linha “muito ténue” que separa quem “pratica o bem para ser elogiado pelos outros, e aquele que pratica o bem para que o Pai seja louvado pelos outros”.

“Neste mundo de espetáculos e de aparências em que vivemos, necessitamos de jejuar. O louvor, a glória, hão de apenas ser dirigidos ao Pai. É a Ele e a Ele somente que cabe dar a recompense”, concluiu.

PR

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