Fátima Eusébio abordou conceito de «experiência imersiva», nas VI Jornadas da Pastoral do Turismo

Almada, 13 fev 2026 (Ecclesia) – A diretora do Departamento de Bens Culturais da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) afirmou hoje que o património da Igreja exige “tempo” e silêncio para ser compreendido, rejeitando a transformação destes espaços em locais meramente tecnológicos ou museológicos.
“Este património só tem sentido se for habitado, se for vivenciado por todos”, declarou Fátima Eusébio, no encerramento do primeiro dia das VI Jornadas Nacionais da Pastoral do Turismo, que decorrem em Almada.
Na conferência dedicada ao tema ‘A Esperança: Experiência imersiva de turismo religioso’, a responsável sublinhou que “o sagrado, por si só, tem uma natureza imersiva”, distinguindo esta realidade dos recursos digitais.
“O tecnológico não pode dominar, porque se não a experiência torna-se mais lúdica”, advertiu, acrescentando que “a experiência imersiva deve ser um meio”.
Fátima Eusébio recordou que “a igreja não é um museu, ali celebra-se”, lamentando que o excesso de afluência impeça muitas vezes a ligação “emocional” ao património, com visitantes que passam mais tempo nas filas do que no interior dos espaços.
“Os turistas não têm tempo para sentir estes espaços”, observou, defendendo a aposta em mais “qualidade do que quantidade”.
A especialista alertou para iniciativas que procuram apenas o “deslumbramento” do público, gerando um “envolvimento muito imediato, que depois não tem presença de continuidade”.
“O que se faz numa igreja é diferente do que se pode fazer num teatro”, precisou.
Para a responsável da CEP, a Igreja tem de assumir a identidade dos seus lugares, proporcionando “uma outra experiência, a compreensão de todo aquele espaço, do que está ali, a compreensão de como é que tudo fala comigo”.
“Compreender este património é compreender as nossas raízes”, sustentou, valorizando uma abordagem que inclua o silêncio “contemplativo” e a dimensão sensorial.
“O tato, o cheiro do espaço, a audição, tudo faz parte e permite uma experiência sensorial”, explicou.
A intervenção destacou a necessidade urgente de investir na formação, perante um desconhecimento do património religioso que se vai “agudizar”.
“É preciso ter espírito crítico para selecionar informação”, recomendou Fátima Eusébio.
A diretora do Departamento de Bens Culturais da Igreja concluiu com um apelo ao acolhimento e à conservação do edificado.
“A primeira coisa que temos de fazer é abrir as portas das nossas igrejas”, o que implica “um estado de conservação que seja acolhedor”, rematou.
As VI Jornadas Nacionais, promovidas pela Pastoral do Turismo – Portugal (PTP), prosseguem este sábado no Santuário de Cristo Rei, com painéis dedicados aos temas “Diálogo e amizade social: Estudos de caso e exemplos práticos” e “Caminhos de futuro”.
OC
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