Paulo Rocha, Agência Ecclesia

O alcance de um projeto de comunicação tem de incluir os indicadores de audiência, expressos em percentagem ditada por algoritmos e também nas reações presenciais ou digitais de quem lê, ouve ou vê mensagens, que se mesclam num mundo mediático marcado por um densidade crescente de imagens e palavras. E quando essa receção existe, ativa a originalidade de quem produz, fomenta a criatividade dos que procuram novas histórias e constroem narrativas que as contam de forma cada vez mais interessante. E assim se cumpre a dinâmica da comunicação: encontram-se novas formas de contar e atingem-se novos públicos.

A celebração dos 25 anos do programa “A Fé dos Homens” comprovou esta dinâmica da comunicação. Emitido na RTP2, soube ir além das fronteiras de um canal onde “quem vê quer ver”, como ilustrava um slogan de há alguns anos, e procurar estratégias para fazer crescer o grupo, sair da bolha e chegar a novos públicos. Foi sobretudo capaz de ajudar a criar uma cultura de diálogo inter-religioso e de serenidade na relação entre confissões e comunidades religiosas, assumindo-se como um ator principal dessa marca da sociedade portuguesa.

Por isso, com 25 anos de história, o programa “A Fé dos Homens” tem de agradecer a todos os públicos: os que seguem o programa porque é uma ajuda nas dinâmicas de pertença a uma determinada confissão religiosa, aqueles que “espreitam” outra confissão para melhor conhecer a sua identidade e a sua história e aqueles que passam pela emissão, de segunda a sexta-feira pelas 15h00, na RTP2, nas ondas da Antena 1 ou a qualquer hora no ambiente digital, e nele encontram o meio para integrar o fator religioso na construção social, admitindo-o como indispensável independentemente de convicções pessoais.

Uma parte deste programa é da responsabilidade da Igreja Católica e chega ao público através da marca “Ecclesia”. É gratificante, no contexto dos 25 anos de emissões, perceber que muitas pessoas e muitos grupos fazem parte desta história e afirmaram-no publicamente! Obrigado! É vital para o crescimento de qualquer projeto de comunicação a reação de quem o segue. E foram tantas e tantos que o expressaram, no contexto das bodas de prata que celebrámos: a atual equipa que em cada dia produz cada programa Ecclesia, na memória de tantos que já a integraram e agora estão noutros desafios profissionais, sente-se grata e transmite essa gratidão a todos os que o seguem, na televisão ou noutros dispositivos.

Desde a origem, a opção editorial deste projeto não colocou o foco na criação de narrativas próprias, alinhadas por tendências pastorais que vão definindo o ser e estar da Igreja Católica em cada tempo, consoante a compreensão da mensagem cristã. Homenagem seja feita ao padre António Rego que, a partir da larga experiência na comunicação do facto religioso e do longo trabalho profissional nesse contexto e que agora motiva o convívio e o descanso com familiares e amigos na sua terra açoriana, sempre estimulou os colaboradores do programa Ecclesia a partirem ao encontro de cada comunidade, de cada história, mostrando a realidade, a verdade do que acontece. E esse é um desafio permanente no jornalismo.

No ambiente mediático da atualidade, é bem mais fácil potenciar a perceção dos factos e da realidade do que investir na procura da verdade, do que se disse ou se diz, do que aconteceu ou acontece. Paradoxalmente, o que gera audiência é a perceção, bola de neve gerada por um aonde mediática em torno de um tema, mesmo que se distancie da realidade. Por isso, é cada vez mais urgente investir em projetos jornalísticos que abandonem a perceção das coisas e invistam na verdade dos factos e dos acontecimentos.

Assim, queremos continuar, como na primeira hora, a sair, a ir ao encontro do que acontece, do que é dito e feito e, pela força da imagem e da palavra, mostrar e partilhar por todos os meios. Sem filtros!

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