Religioso jesuíta destaca sentido bíblico das «passagens»

Lisboa, 30 dez 2019 (Ecclesia) – O padre Vasco Pinto de Magalhães, autor de várias obras no âmbito da teologia e espiritualidade, disse à Agência ECCLESIA que a passagem de ano é uma “oportunidade” de compromisso e renovação, evitando a simples “repetição”.

“Temos mais uma oportunidade, não para repetir as mesmas coisas, aprendendo a lição e agradecendo o que aconteceu, até uma coisa difícil, um sofrimento – mas, se me aconteceu, pode fazer-me crescer, dar um passo em frente”, referiu o religioso jesuíta, em entrevista emitida hoje na RTP2.

O sacerdote defende a necessidade de recuperar a “visão evangélica” do que significa a passagem, o “novo”, que é “começar com novidade”, “renascer, ressuscitar”, e não “fazer mais uma vez” ou reproduzir ciclos.

“A grande novidade é tudo o que leva à renovação das relações humanas. O resto são acontecimentos”, indica.

O padre Vasco Pinto de Magalhães observa que é fundamental evitar, através da criatividade, o “andar à volta” ou o pessimismo de pensar que “tudo se repete”.

O objetivo, insiste, é fazer verdadeiramente uma “passagem”, em vez de meros “balanços”.

“É preciso ser mais prospetivo”, aponta.

Para o religioso jesuíta, cada um deve ver, de forma “realista”, o que pode fazer para melhorar, no próximo ano, e fazer “compromissos”, a partir da busca de um sentido para a vida.

A História é mestra da vida, mas não deve bloquear, porque não está tudo dito, há sempre uma palavra nova, um novo caminho que se deve discernir”.

Os momentos festivos, assinala o entrevistado, recordam que é saudável “parar, descansar”, promovendo a festa como “momento comunitário”, num tempo de individualismo, em que o uso excessivo da tecnologia pode “fechar a pessoa sobre o seu telemóvel”.

Pessoalmente, a passagem de ano do padre Vasco Pinto de Magalhães é celebrada na Eucaristia, em que a meia-noite coincide com o “abraço da paz”, para projetar uma vida “pacificadora”.

2019 foi um ano de mudança para o jesuíta, tornando-se pároco da igreja da Encarnação, no Chiado, a convite do cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, integrando o trio de religiosos que assumem a coordenação pastoral, além do trabalho levado a cabo na revista ‘Brotéria’, que se quer transformar num “centro cultural”.

“A passagem não se faz com um clique, faz-se com muito trabalho”, conclui.

PR/OC

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