Projeto em construção há dois anos começou a ser sonhado e pensado há quase três décadas

Lisboa, 02 out 2019 (Ecclesia) – A Companhia de Jesus e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa assinaram hoje um protocolo para a nova casa da ‘Brotéria’, revista que “saiu do papel” para o Bairro Alto, como espaço cultural.

“O que acreditamos é que a relevância da Brotéria enquanto agente cultural depende de uma atenção constante à realidade urbana, a partir de uma multiplicidade de ângulos, sempre cimentados em cinco vertentes de atividade: investigação, diálogos, comunicação, espiritualidade e galeria”, refere o diretor da ‘Brotéria’, o padre Francisco Mota.

Num comunicado enviado à Agência ECCLESIA, os Jesuítas contextualizam que a ‘Brotéria’ saiu do papel, depois de “quase 120 anos” como revista de cultura, e mudou-se para o Bairro Alto com “o desejo de se tornar no ponto de encontro entre a fé cristã e as culturas urbanas contemporâneas”.

O padre Francisco Mota explicou que têm um “Observatório”, um grupo de pessoas, que reúne com regularidade para “auscultar a realidade”, uma vez que, precisam de “ir alimentando uma reflexão conjunta” que garanta “a vitalidade, a relevância e a organicidade de toda a atividade promovida pela Brotéria”.

“Depois é a partir deste olhar coletivo e plural que resultam novas iniciativas e de onde saem os temas explorados na programação”, desenvolveu o sacerdote da Companhia de Jesus em Portugal.

A programação “nasce da relação com a rua”, uma vez que a atividade da ‘Brotéria’ pretende “dar voz às preocupações das pessoas que vão entrando” no jogo cultural que é oferecido, “há espaço para o tempo, a espontaneidade e a discussão”.

O novo espaço cultural dos Jesuítas vai abrir “gradualmente ao público” até ao início de 2020, “abre oficialmente em janeiro”, no “coração de Lisboa”, no antigo Palácio dos Condes de Tomar, no Bairro-Alto, e resulta de uma parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

A sociedade portuguesa vai encontrar um espaço com galeria, livraria, cafetaria com pátio e salas para debates, conferências ou encontros, existem dois grandes salões com capacidade para 80 pessoas cada um, destaca-se, por exemplo, a Sala dos Couros que é o ex-líbris e tem as “paredes totalmente forradas a couro trabalhado”.

O público vai ter também acesso a mais de 160 mil volumes da “famosa e vasta biblioteca” da comunidade Jesuíta, e no último andar do antigo palácio junto à igreja de São Roque vai ficar instalada a comunidade de Jesuítas “envolvida na vida da ‘Brotéria’”.

O protocolo que define a parceria entre os religiosos e a Misericórdia de Lisboa foi assinada esta tarde e contou com a presença do provedor da instituição, Edmundo Martinho, do provincial da Companhia de Jesus em Portugal, o padre José Frazão Correia, e do cardeal-patriarca D. Manuel Clemente, que nas nomeações para o ano pastoral 2018/2019, confiou à Companhia de Jesus a coordenação da Paróquia da Encarnação, no Chiado.

Editada em Portugal desde 1902, a revista ‘Brotéria’ propõe leituras sobre atualidade política e social, religiosa, deixando ainda algumas sugestões culturais.

CB/OC

Sociedade: Centro Cultural Brotéria quer ser diálogo e encontro entre tradição e contemporaneidade (c/vídeo)

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