Relatório mundial revela que África e Médio Oriente estiveram «no topo da ajuda solidária» da fundação pontifícia em 2019

Lisboa, 18 jun 2020 (Ecclesia) – A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) apoiou em “mais de 100 milhões de euros” o trabalho da Igreja Católica, em 2019, e os benfeitores portugueses contribuíram com “com cerca de 3 milhões de euros de donativos” para estes esforços.

Num comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA, a diretora do secretariado português da AIS assinala que os valores angariados confirmam “a enorme generosidade dos benfeitores e amigos em Portugal”.

Catarina Martins de Bettencourt agradece “o seu empenho e solidariedade para com a Igreja que sofre no mundo”, num “apoio aos cristãos perseguidos” e dos projetos e campanhas que “mais mobilizaram os benfeitores portugueses”.

A responsável destaca “o trabalho das irmãs em todo o mundo”, o apoio aos “cristãos na Síria e a situação cada vez mais problemática em África”, para além da “preocupação pelas crianças cristãs em risco”.

A fundação pontifícia tem 23 secretariados nacionais e o português conta com “mais de 330 mil benfeitores”.

Com“mais de 100 milhões de euros de ajuda ao trabalho pastoral da Igreja”, em 2019, a Ajuda à Igreja que Sofre [ACN, na sua designação internacional] apoiou diretamente “5230 projetos assistenciais em 139 países”, com destaque para África e Médio Oriente.

No continente africano, 1766 projetos que “ganharam vida” no ano passado, com a República Democrática do Congo a beneficiar “da maior ajuda em África”, um país de “incessantes e sangrentos conflitos e que, muitas vezes, parece ter caído no esquecimento da comunidade internacional”.

Os benfeitores da Fundação AIS permitiram concretizar 268 projetos na República Democrática do Congo, “num total de 3,3 milhões de euros”; na Nigéria, nos Camarões e no Burquina Faso “o fundamentalismo islâmico e o terrorismo” têm-se revelado das “principais ameaças à vida das populações”, e a Igreja foi apoiada em “cerca de 3 milhões de euros”, que financiaram “mais de 260 projetos”.

No caso dos países do Médio Oriente, a ajuda da AIS realiza-se no contexto da “ameaça constante” à sobrevivência das próprias comunidades cristãs: na Síria foram financiados 132 projetos, “num total de quase 7,6 milhões de euros”, enquanto no Iraque “manteve-se” o trabalho de “reconstrução de mais de seis mil casas” da comunidade cristã” e de locais de culto, capelas, igrejas e mosteiros.

O Relatório Anual da Fundação AIS de 201  destaca outros países do mundo que também precisam de ajuda, como a Ucrânia, “afetada pela guerra e pela pobreza”, que foi considerada um país prioritário: “quase” 300 projetos receberam apoio “num valor global de cerca de 4 milhões de euros”.

Na América Latina, a Venezuela, com 108 projetos, “liderou a ajuda neste continente”, juntamente com o Brasil; na Ásia, no Paquistão e na Índia, o “fanatismo islâmico e o extremismo hindu”, respetivamente, “continuaram a alimentar a discriminação e a violência contra a minoritária comunidade cristã”.

Em 2019, AIS também ajudou em 1 378 635 estipêndios de Missa que foram celebradas pelas intenções dos seus benfeitores, “cerca de 16% do total de donativos angariados”, num esforço que apoiou “diretamente 40 mil padres em todo o mundo”, a que se somaram 16 200 jovens seminaristas  e o “reforço dos programas de apoio às congregações religiosas”.

O presidente internacional da fundação pontifícia, cardeal Mauro Piacenza, assinala que a AIS “continuou a trabalhar da melhor forma possível, no apoio àqueles que sofrem”, durante a pandemia de Covid-19, e agradeceu aos benfeitores que “continuaram com a sua sensibilidade, a rezar e a doar”.

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre começou a trabalhar em Portugal, em 1995, e foi fundada no natal de 1947, pelo padre Werenfried van Straaten que começou por ajudar os milhões de refugiados da Alemanha de Leste que fugiam da ocupação comunista”, após a II Guerra Mundial, “inspirado na mensagem de Fátima”.

CB/OC

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