XI Simpósio do Clero: Leão XIV envia mensagem aos sacerdotes de Portugal e pede que rejeitem «entusiasmos ingénuos» e «medos estéreis»

Núncio apostólico em Portugal afirmou na sessão de abertura que o segredo para um «sacerdócio sadio é não caminhar sozinhos»

Foto Agência ECCLESIA/PR, XI Simpósio do Clero

Fátima, 31 ago 2026 (Ecclesia) – O núncio apostólico em Portugal presidiu hoje à sessão de abertura do XI Simpósio do Clero, onde divulgou uma mensagem do Papa Leão XIV dirigida aos participantes pedindo que rejeitem “entusiasmos ingénuos” e “medos estéreis”.

“Nos diferentes encontros e nos diálogos mais informais, sem se abençoarem em entusiasmos ingénuos, nem se acalentarem medos estéreis, evitando-se palavras que humilham ou dividem, multiplique-se a franqueza que ilumina, aquece e abre caminhos”, afirma a mensagem do Papa.

No texto lido D. Andrés Carrascosa Coso, o Papa afirma que é importante contar com a “diversidade e até com as tensões” no ambiente sacerdotal, porque “de tudo se serve criativamente o Espírito Santo ao reacender nos corações o zelo pela missão comum”.

Leão XIV, que assina a mensagem, invoca para o clero de Portugal “a sabedoria divina para o caminho conjunto”, o “entusiasmo para os passos vacilantes” e “o dom da unidade para todos”.

O núncio apostólico em Portugal, na comunicação que fez aos padres presentes, referiu-se à autenticidade da vida sacerdotal, fundamentada na caridade, e disse que o trabalho conjunto é o segredo para um “sacerdócio sadio” é trabalho em conjunto.

A única maneira de viver um sacerdócio sadio é a de não caminhar sozinhos”.

D. Andres Carrascosa Coso sublinhou que “nenhum pastor existe sozinho” e que, para acompanhar as pessoas, é necessário “ter um acompanhamento espiritual”.

“Ninguém que não é acompanhado, sabe acompanhar. Aqueles que deixam de receber orientação, correm o risco de já não serem capazes de reconhecer aquilo que acontece no seu interior”, afirmou.

O núncio apostólico referiu-se ao clericalismo que “faz sofrer” e é uma “ferida na comunhão” e lembrou que a Igreja precisa de ministros, bispos, presbíteros e diáconos que levem “o coração do Evangelho”.

A Igreja precisa de ministros que levem a sério, com radicalidade, o coração do Evangelho, a síntese da Lei, colocando na base de todas as atividades, antes de todas as ocupações pastorais, a caridade”.

Na comunicação que fez aos participantes no XI Simpósio do Clero, o núncio apostólico alertou para “celebrações, belíssimas” ou “programas pastorais muito bem preparados”, mas que podem “ser expressão sublime de uma realidade que não existe”.

D. Andres Carrascosa Coso referiu-se também à necessidade da partilha das “experiências de vida cristã”, a “ajuda mútua, e até a comunhão de bens, incluindo os bens materiais”, alertando para os pedidos da “vida individualista e até burguesa”.

“Às vezes, no interior do presbitério diocesano, infelizmente, não é o amor recíproco aquilo que nos distingue”, alertou, acrescentando que é necessário “formar para a comunhão, formar para o trabalho em conjunto”.

Foto Agência ECCLESIA/PR, XI Simpósio do Clero

A sessão de abertura iniciou com a comunicação de D. Vitorino Soares, presidente da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios, que promove o Simpósio do Clero, que se referiu aos trabalhos que decorrem em Fátima como “um tempo especial de encontro, de comunhão e de visibilidade da Igreja”.

“Este tema do simpósio e o estilo do programa convida-nos a redescobrir a beleza de caminharmos juntos, fortalecendo os vínculos de fraternidade, partilhando a vida e renovando o compromisso evangelizador da Igreja”, afirmou.

D. Vitorino Soares lembrou que o XIº Simpósio não vai ter o formato habitual de conferências sucessivas, mas acompanha os resultados de um inquérito sobre os “Desafios da Vida Sacerdotal em Portugal”, realizado anonimamente entre os participantes do Simpósio do Clero.

Para além de informações sociodemográficas, o inquérito indica dados sobre o “cuidado de cada padre consigo mesmo, a nível emocional, espiritual e psicológico, tendo em vista a reflexão em torno da integração psico-espiritual na vida e exercício do ministério pastoral”.

A 11ª edição do Simpósio do Clero de Portugal decorre até ao dia 3 de setembro, no Centro Paulo VI, em Fátima, e tem por  tema «Irmãos no sacerdócio e testemunhas do Evangelho»

PR

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