Co-fundadora da associação Kêlê sonha com a implementação de projetos que apoiem a educação e a saúde para ajudar a vida de um povo «acolhedor e cheio de esperança»

Associação Kêlê

Lisboa, 10 ago 2022 (Ecclesia) – Madalena de Almeida Nogueira foi voluntária em São Tomé e Príncipe, pela primeira vez em janeiro de 2020, e não se conseguindo distanciar daquela realidade e do povo, ajudou a criar a associação Kêlê, que significa «Acreditar».

“A educação e a saúde são os grandes problemas de São Tomé. A saúde pode melhorar com educação, porque o rumo acontece quando mais pessoas formadas houver. O importante é incutir, desde pequenos, que a educação é importante, e isso vai dar-nos um futuro mais promissor”, explica a jovem à Agência ECCLESIA.

A primeira viagem a São Tomé, respondendo a um desejo de fazer voluntariado em África, mudou a vida de Madalena de Almeida Nogueira, formada em Economia e Gestão.

“As várias pessoas que fomos conhecendo, as histórias de vida, deram-nos a conhecer super-heróis, sejam crianças que não têm pais que tem de tratar dos irmãos, da casa, da roupa e comida, sejam as pessoas mais velhas que nos contam as suas histórias difíceis: em todas as pessoas encontramos super-heróis com vidas desafiantes, mais difíceis, e passaram por cima ou ainda em situações complicadas mas com sorrisos na cara e a ver tudo de forma positiva”, recorda.

Agência ECCLESIA/LS

Depois de seis meses, em 2020, a trabalhar com as irmãs Franciscanas, em Guadalupe, no norte da ilha, e tendo passado grande parte do ano de 2021 em São Tomé e Príncipe, a vontade de Madalena de Almeida Nogueira é regressar, sentindo que a sua vida pode acontecer naquela terra.

“O meu sonho para a associação, apesar de só termos um ano, é crescer, dar mais apoio aos jovens que apoiamos e, num futuro, queremos chegar a outros públicos dentro da Roça Agostinho Neto ou de Guadalupe. Sinto que mais do que chegar a outros sítios, é chegar a todas as pessoas onde estamos. Criar um projeto com idosos ou com as mulheres da roça que não têm ocupação durante o dia. Estes pequenos objetivos vão sendo os nossos sonhos”, avança.

Com uma licenciatura em Economia e Gestão, Madalena de Almeida Nogueira viveu um ano no Rio de Janeiro, no Brasil, este esteve a fazer um mestrado na área.

“No Brasil foi onde senti que a vida tem menos valor. Nunca me aconteceu nada, mas tira-se a vida muito facilmente. É assustador. Em São Tomé e Portugal é parecido, mas aqui cuidamos mais e damos mais valor à vida”, reconhece.

Na conversa com o programa ECCLESIA, Madalena de Almeida Nogueira recorda ainda as primeiras ações de voluntariado que fez, no Banco do Bebé, no Banco Alimentar Contra a Fome e ainda na Refood.

“A educação que os meus pais me deram esteve sempre baseada no amor ao próximo: ajudar e estar atento foi inevitavelmente crescendo dentro de mim”, recorda.

Durante o primeiro ano de mestrado integrou também a Missão País, na Universidade Católica Portuguesa, que a levou à Ericeira, onde descobriu uma localidade diferente do local onde habitualmente está de férias, entrando em contacto com as “dificuldades das crianças e dos idosos”.

A conversa com Madalena de Almeida Nogueira pode ser acompanhada esta madrugada, pouco depois da meia-noite, no programa Ecclesia na Antena 1, ficando disponível no portal de informação ou em formato podcast.

LS

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