«Propôs-se que se institua uma estrutura sinodal permanente» para que este caminho «não seja interrompido»

Foto Diocese de Vila Real

Vila Real, 21 jun 2022 (Ecclesia) – A Diocese de Vila Real publicou a síntese da caminhada sinodal que tem três aspetos positivos, 12 negativos e 15 propostas de mudança, e os participantes sugerem que esta Igreja local caminhe e implemente “um verdadeiro estilo sinodal para que a Igreja, clero e leigos, caminhem juntos”.

“Para que o caminho sinodal se concretize com maior plenitude, propôs-se que se institua uma estrutura sinodal permanente a fim de que o caminho iniciado não seja interrompido”, explica o padre João Curralejo, na apresentação da síntese da caminhada sinodal na Diocese de Vila Real.

Na informação enviada à Agência ECCLESIA, o sacerdote destaca que também foi proposto que se instituam “Assembleias Sinodais regulares nas estruturas diocesanas”, nomeadamente nas paróquias, nos arciprestados e nos movimentos, para uma pastoral de conjunto e “em sintonia com a diocese”.

“Como grande conclusão da caminhada sinodal emerge a urgência de a Igreja concretizar os caminhos apontados pelo Concílio Vaticano II e regressar à essência e à alegria do Evangelho, o regresso às fontes da Igreja nascente”, lê-se na síntese sinodal da Diocese de Vila Real.

O documento apresenta três aspetos positivos, 12 negativos, 15 propostas de mudança, e oito conclusões; Envolveu a realidade eclesial – conselho diocesano de pastoral, conselho presbiteral, paróquias, arciprestados, movimentos e serviços -, “num total de cerca de 2000 participações”, em grupos presenciais e inquéritos online, que representa 1% da população residente no distrito de Vila Real, que coincide com o território da diocese.

A equipa sinodal recebeu 60 sínteses, representando a caminhada de movimentos, paróquias, arciprestados e diocese, e promoveu dois inquéritos online, um dedicado aos jovens, que teve 40 respostas, e outro para o público em geral, onde registaram cerca de 200 participações.

“Nota-se uma Igreja envelhecida, fechada e sem uma verdadeira pastoral juvenil, incapaz de atrair e fidelizar os jovens”, assinalam na visão da Igreja atual.

Foto Agência ECCLESIA/PR

Nos positivos, os participantes reconheceram a Igreja Católica “como casa de Deus, espaço de comunhão e lugar de encontro”, e também “onde se vai e está em família”, valorizaram o seu papel na “promoção dos valores humanos e na difusão da fé”, na promoção da vida, do trabalho digno e dos Direitos Humanos, bem como a sua ajuda sócio caritativa que “chega aonde mais ninguém chega”.

Nos aspetos negativos, por exemplo, descreveram uma Igreja “pouco inclusiva e pouco acolhedora, em termos espirituais e em termos humanos”, que discrimina divorciados, recasados, pessoas com diferente orientação sexual e minorias, como a comunidade cigana, deixando à margem os desprotegidos e os idosos e que não caminha com os jovens, lado a lado, tendendo a impor normas, ritmos e iniciativas.

Consideram que a Igreja Católica tem uma “atitude demasiado hierárquica, clerical, corporativa, pouco transparente e resistente à mudança”, que “revela alguma soberba”, desvaloriza os anseios e as expectativas dos leigos, “não considera as mulheres em igualdade com os homens”, e alertam que algum clero “ostenta riqueza e não dá verdadeiro testemunho”, e como “gritante” identificam os casos de pedofilia.

Segundo a síntese de Vila Real, que foi apresenta ao Conselho Pastoral Diocesano no sábado, 18 de junho, a caminhada sinodal foi também uma oportunidade para ir às periferias, “escutando e acolhendo os que habitualmente estão à margem”: Quem não frequenta a Igreja, os reclusos, os pobres e os idosos a residirem em instituições.

O Sínodo dos Bispos 2021-2023 tem como tema “Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão” e iniciou-se simbolicamente em outubro de 2021, sob a presidência do Papa, no Vaticano, marcando o arranque de uma inédita fase de consulta e mobilização das comunidades católicas de todo o mundo.

CB

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