D. Manuel Clemente sublinha que mensagem da Páscoa quer chegar «onde for mais urgente para reabrir o futuro»

Lisboa, 11 abr 2020 (Ecclesia) – O cardeal-patriarca de Lisboa destacou hoje na catedral diocesana as “presenças generosas” que levam ressurreição de Cristo a quem sofre com a pandemia, falando durante a Vigília Pascal.

“O ressuscitado espera-nos na Galileia do mundo, para a nós e connosco, manifestar a sua Páscoa onde for mais urgente para reabrir o futuro”, disse D. Manuel Clemente.

“Sem a notícia pascal, ecoada por tantas presenças generosas, por tantos motivos e figuras, a sociedade não contaria com a esperança que ela trouxe e a tantos acalenta, nesta hora”, acrescentou.

A reflexão evocou a aventura evangélica que recomeçou da Galileia, para qualquer parte qualquer tempo, após a ressurreição de Jesus, chegando agora a uma celebração da Páscoa com pouca presença física, mas “tão luminosa”.

“A este tempo preciso, em que em pandemia se sofre, mas em que o ressuscitado atua, como sempre o faz, por muitos que o refletem”, acrescentou.

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, especialista em História da Igreja, falou de dois milénios que testemunham a ação dos cristãos “em tempo de fome, peste e guerra”.

“A ressurreição de Cristo redobra os sinais da sua presença salvadora”, apontou.

A ressurreição de Cristo, referiu D. Manuel Clemente, “trouxe-lhe a vitória sobre qualquer morte que seja”, garantindo “um futuro absoluto, só em Deus atingível”.

“Contra grandes males, só vale todo o bem”, disse.

A homilia realçou que a celebração da ressurreição marca o caminho rumo a uma “eternidade feliz” para a humanidade.

“Esta vida vence a morte que é o isolamento absoluto ou o egoísmo sem fim”, observou.

Em muitas ações e lugares, em tempo de luta pela saúde e pelo futuro de tanta gente, são muitos os testemunhos da felicidade já pascal, nas entreajudas que se dão, nas curas que se fazem ou procuram, nas vizinhanças que se concretizam”.

O cardeal-patriarca destacou que o anúncio da ressurreição só será credível pelo “amor”, por uma “vida nova”.

“A Páscoa é uma iluminação total”, sustentou.

Nas normas para as celebrações na Semana Santa por causa da pandemia covid-19, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos (Santa Sé) indicou que  Vigília Pascal, celebração mais importante do ciclo litúrgico, fosse celebrada, como todas as restantes celebrações, com a ausência de fiéis, omitindo-se o ritual do fogo e a procissão inicial.

Este domingo, no final da Missa da Páscoa, o cardeal-patriarca dará, “de forma extraordinária”, a bênção com o Santíssimo Sacramento “sobre a cidade, sobre a diocese e sobre todos quantos, privados da participação física da celebração nas suas comunidades, acompanham transmissão televisiva, concedendo a indulgência plenária, segundo as condições estabelecidas pela Santa Sé”, informou o Patriarcado de Lisboa.

OC

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