«Os problemas da Humanidade são nossos e não podemos viver tranquilos enquanto persistem» – D. Jorge Ortiga

Foto Arquidiocese de Braga

Braga, 11 abr 2020 (Ecclesa) – O arcebispo de Braga afirmou hoje que “o Espírito” pede que a Igreja percorra “os caminhos da Humanidade” com todos os seus problemas e desafios, “sempre na lógica” de gerar vida, na homilia da vigília pascal.

“São inúmeras as situações que permitem que os bens se concentrem nas mãos de poucos. Persiste a corrupção e os jogos mais ou menos escuros que validam acumulações económicas indevidas. Basta ver tantos sinais, humanamente inexplicáveis, de riqueza ao lado de multidões com o salário mínimo ou situações de trabalho precário”, disse D. Jorge Ortiga.

Na Missa transmitida online, presidida no Paço Arquiepiscopal casa arquiepiscopal, o arcebispo de Braga alertou para o modelo económico que “mata e gera situações incríveis de ausência do essencial”, tendo assinalado que os “problemas da Humanidade” são também da Igreja que não pode “viver tranquilos enquanto eles persistem”.

“Falamos da dignidade de todas as pessoas mas o mundo continua muito desigual”, alertou, tendo lembrado que “a grande preocupação” do Papa Francisco desde o dia em que foi eleito (março de 2013) é querer “uma Igreja em saída”, algo que tem dois movimentos, “sair para estar fora, no mundo, e sair para não se fechar nas suas atividades intimistas e reservadas a poucos”.

Segundo D. Jorge Ortiga, a Igreja do futuro “não deve ter medo de estar presente em todos os areópagos onde se constrói a vida”, são caminhos novos, “nunca percorridos”, e hoje vai ter de “ultrapassar” os espaços dos templos e dos adros para “mergulhar no desconhecido”.

“Em todos os cenários da vida moderna, a Igreja dever marcar presença, sem medo nem complexos. Quando o Papa referia que Cristo quer-nos vivos, não abordava somente a realidade física. É este espírito e dinamismo que hoje importa ativar. Ressuscitar é a responsabilidade de colocar Cristo onde Ele não se encontra”, desenvolveu.

O arcebispo de Braga realçou que é preciso estar fechado “em isolamento social”, por causa da pandemia do coronavírus COvid-19, mas não se pode permitir que “Cristo continue dentro do sepulcro das realidades eclesiais. Ele, qual fermento invisível, tem de ir cristianizando as realidades humanas”.

No início da sua homilia, D. Jorge Ortiga alertou que se corre “o risco” de tomar Jesus Cristo “apenas como um bom exemplo do passado”, como uma boa recordação, “como alguém que salvou há dois mil anos”, mas isso de “nada aproveitaria” e “não libertaria”.

“Aquele que nos enche com a sua graça, aquele que nos liberta, aquele que nos transforma, aquele que nos cura e consola é alguém que vive: É Cristo ressuscitado, cheio de vitalidade sobrenatural, revestido de luz infinita”, acrescentou.

Na vigília pascal transmitida online, o arcebispo de Braga disse que a notícia da Páscoa do Senhor é que “Ele não é um morto desaparecido, está vivo e vive para sempre, por isso, “alegra-te com o teu amigo que triunfou”.

CB

 

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