Mensagem de Natal 2005 do Bispo das Forças Armadas e de Segurança No Momento alto da “Vida de Deus habitada entre nós”, relembro um texto do Papa João Paulo II, neste primeiro Natal após a sua morte. “Natal é a festa do Homem. Nasce o Homem (a Humanidade). Um dos milhões que nasceram. nascem e nascerão sobre a Terra. O Homem, um elemento componente da grande estatística. Jesus veio ao mundo no período de recenseamento, quando um imperador romano queria saber quantos súbditos tinha o seu país. O homem, objecto de cálculo, considerado na categoria da quantidade, um entre milhões. E, ao mesmo tempo, uno, único e irrepetível. Se celebramos com tanta solenidade o Nascimento de Jesus, fazemo-lo para testemunhar que cada ser humano é alguém, único e irrepetível. Não é esta a mensagem mais verdadeira do Natal? Todo o ser humano é convidado por Cristo que nasce, a renascer para um sentido mais profundo da própria dignidade e dos deveres que dessa dignidade derivam. Mesmo nos anos piores, o Natal sempre trouxe consigo alguma luz. E esta luz penetrava nas mais duras experiências de desprezo do ser humano, de aniquilamento da sua dignidade, de crueldade. Basta, para disso nos darmos conta, pegar nas memórias dos homens que passaram pelos cárceres e pelos campos de concentração, pelas frentes de guerra e pelos interrogatórios e processos. É um acontecimento que verdadeiramente mudou a face do mundo”. (in Diálogo com os homens, Edições 70, 1991) Nesta hora torna-se mais triste a nossa memória, ao desfiar o rosário de tantas pessoas conhecidas, as quais não têm passado connosco os últimos Natais. É imenso o número de amigos que nos deixaram no decurso de 2005. De todos os militares e agentes policiais falecidos, permitam me recline diante da memória do sargento João Paulo Roma Pereira, falecido no Afeganistão, em Novembro último. O Natal da Dignidade e da Esperança é responsabilidade nossa em ordem a não sepultarmos a recordação dos nossos maiores e a não deixarmos em silêncio as dificuldades e os pesares dos vivos. O Papa João Paulo II ensinou-nos a estarmos presentes no Mundo e na vida, e a não fugirmos às questões da cidadania, da pobreza e exclusão, da cultura da morte e da existência, do núcleo insondável de cada interrogação e desprezo, e do cumprimento do ideal humano. A Mensagem do Papa Bento XVI incita-nos a prosseguir essa viagem, que teve o ponto de partida no Evangelho do Natal! Não precisamos de inventar situações a evangelizar. O grande mundo, onde habitamos, devolve-nos, no dia a dia, perguntas e clamores. Respostas e soluções, precisam-se! Não me distancio dos descrentes, que fitam esta época como um período de uma solidariedade, vivida no decurso dos onze meses anteriores. É mais uma solicitação à nossa coerência cristã! Na justiça e fraternidade para as Forças Armadas e as Forças de Segurança de Portugal, um Natal Muito Feliz. Januário Torgal Mendes Ferreira, Bispo das Forças Armadas e de Segurança
