Francisco lembrou que congregação sem «centralidade do mistério de Cristo, a vida comunitária e a oração» torna a vida consagrada «estéril»

Foto: Vatican News

Cidade do Vaticano, 01 out 2022 (Ecclesia) – O Papa Francisco pediu hoje aos Missionários Redentoristas, que recebeu em audiência, para não terem medo da mudança e para “sujarem as mãos pelos mais necessitados” e “pessoas que não contam”.

“Não tenham medo de trilhar novos caminhos, de dialogar com o mundo à luz da vossa rica tradição de teologia moral. Não tenham medo de sujar as mãos ao serviço dos mais necessitados e das pessoas que não contam”, afirmou esta manhã o Papa aos participantes do Capítulo Geral da Congregação do Santíssimo Redentor, os Missionários Redentoristas, presentes em 85 países.

O Papa recebeu os participantes no Capítulo da congregação a quem recordou a oportunidade de “tornar tudo novo” para lá da “formalidade canónica”.

“Este discernimento comunitário está enraizado na capacidade de cada um de vós de procurar o mistério de Cristo Redentor, que é a razão da vossa consagração e do vosso serviço aos homens e mulheres que vivem nas periferias existenciais da nossa história de hoje. Encorajo-vos a ousar, tendo o Evangelho e o Magistério da Igreja como único limite”, apontou.

Aos redentoristas o Papa Francisco recordou uma “expressão muito bonita” das Constituições da congregação, que indica a disponibilidade para “enfrentar qualquer julgamento a fim de levar a redenção de Cristo a todos”.

“Disponibilidade. Não tomemos esta palavra como certa! Significa entregar-se inteiramente à missão, com todo o coração, até às últimas consequências”, lembrou, destacando ainda o “momento único de renovação” que a vida religiosa atravessa.

“Esta renovação passa por um processo de conversão do coração e da mente, de intensa metanoia, e também por uma mudança de estruturas. Aqueles que permanecem apegados aos seus próprios títulos arriscam-se a cair na esclerocardia, o que impede a ação do Espírito no coração humano. Em vez disso, não devemos colocar obstáculos à ação renovadora do Espírito, antes de mais nos nossos próprios corações e estilos de vida. Só desta forma nos tornamos missionários de esperança!”, pediu.

A partir dos temas abordados no capítulo geral, «identidade, missão, vida consagrada, formação e governação», o Papa pediu que os redentoristas repensassem o seu carisma “à luz dos sinais dos tempos” e que reimaginassem a congregação segundo os pilares da “a centralidade do mistério de Cristo, a vida comunitária e a oração”.

“O abandono da vida comunitária e da oração é a porta da esterilidade na vida consagrada, a morte do carisma e o fechamento em relação aos irmãos e irmãs”, reconheceu.

Ao novo Governo-geral, Francisco pediu “humildade, unidade, sabedoria e discernimento” para guiar a congregação num “tempo belo e desafiador da história”.

LS

Partilhar:
Share