Bispo auxiliar de Lisboa recorda verões passados em missão e destaca as suas primeiras férias enquanto bispo

Lisboa, 07 ago 2019 (Ecclesia) – D. Daniel Henriques, bispo auxiliar de Lisboa, disse à Agência Ecclesia que teve verões que o marcaram e este ano vai tirar uns dias em agosto que vão ser as suas “férias mais radicais”.

“Acho que vão ser as minhas férias mais radicais, vou passar a maior parte do tempo com os meus pais, estão muito velhinhos e debilitados, temos uma pessoa que cuida deles, e vamos lá com muita frequência, somos quatro irmãos. O meu pai está com um grande grau de  demência, às vezes estamos lá os dois, nem eu entendo o que ele está a dizer nem ele entende o que eu digo… este ano quero estar com eles, sentar-me ao lado do meu pai, comprámos um chapéu de sol para por no quintal e quero estar com eles”, adiantou.

O bispo auxiliar de Lisboa confessou estar “um pouco assustado” com a sua decisão, mas entende que, além de ser uma obrigação de filho, quer “desfrutar da companhia dos pais”, nestas primeiras férias enquanto bispo.

Natural de Ribamar, perto da Ericeira, no Patriarcado de Lisboa, D. Daniel Henriques vai regressar “às origens” para também rever a família alargada e considera que “estar perto das pessoas é muito importante”.

“Combinei com o meu pároco, ir pagar a minha ‘côngrua’, e vou celebrar as Missas num sábado e domingo, para que ele também possa ter dias de férias”, refere.

O prelado confessou ainda que “não é de se levantar tarde” e por isso gosta de aproveitar as manhãs e “fazer umas caminhadas”.

As férias do atual bispo passaram “por várias fases”, enquanto padre, desde férias de descanso a missões mais longe que o marcaram.

“Como padre fui formador no seminário e aí eu ia de férias quando os seminaristas também iam, passava os dias com os meus pais; depois quando era pároco, na Ramada e Famões, passei as férias em terras de missão, São Tomé e Angola, nomeadamente, e, muitos anos o mês de agosto era com os jovens em missão. Sentia como plenamente férias, era estranho, porque estava com as pessoas no seu quotidiano, não havia telemóveis nem internet…era mesmo um desligar e sentia que vinha de lá cansado, mas restabelecido”, conta.

Olhando para este tema das férias, D. Daniel Henriques considera que têm de ser uma “boa rutura” e gosta de estar a par das notícias que “acompanha com frequência e gosto”.

Ouvi uma notícia estranha, para mim, que um terço dos portugueses mente acerca das suas férias, nas redes sociais, colocam imagens falsas e questiono que necessidade haverá para isso… porque o fazem? Depois as relações com os filhos: há pais que não sabem estar o dia inteiro com os filhos… As pessoas desabituaram-se de estar umas com as outras, mesmo os casais, estão juntos em momentos curtos de tempo e as coisas até funcionam, mas deixaram de desfrutar da companhia do outro…”

Atento à realidade dos outros, porque sente que estes assuntos “também devem tocar os padres e bispos”, D. Daniel Henriques esclarece que as férias podem “ser um desafio ou um momento de ressaca” e é necessário perceber que é preciso “parar para recuperar e descansar”.

A entrevista pode ser ouvida esta noite, pelas 22h45, no Programa ECCLESIA, na Antena 1 da rádio pública.

SN

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