Venezuela: Papa envia ajuda inicial de 100 mil euros para ajudar vítimas de sismos

Cáritas local mobiliza rede nacional de apoio após declaração de emergência

Foto: Lusa/EPA

Caracas, 25 jun 2026 (Ecclesia) –O Papa enviou hoje uma primeira ajuda financeira de 100 mil euros para socorrer as populações atingidas pelos sismos na Venezuela.

A verba foi destinada aos responsáveis da Igreja no país através da Esmolaria Apostólica, informa o portal ‘Vatican News’.

A decisão de Leão XIV surgiu após contactos com o núncio apostólico local, D. Alberto Ortega Martín, e com o arcebispo de Caracas, D. Raúl Biord Castillo.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmou esta manhã a existência de, pelo menos, 162 mortos e 971 feridos provocados pelos dois violentos terramotos que sacudiram o país na quarta-feira, seguidos de 30 réplicas nas últimas horas.

A governante declarou o estado de emergência nacional e classificou o estado costeiro de La Guaira, a zona mais afetada pelos abalos, como uma “área de desastre”.

As autoridades locais alertaram para a possibilidade de o número de vítimas aumentar com o prosseguimento das operações de busca sob os escombros.

O bispo de La Guaira relatou um cenário de destruição nos edifícios religiosos, indicando que a população se encontra “sem eletricidade” e que todos foram afetados.

“No seminário desabaram muitos muros e várias igrejas sofreram danos significativos”, sublinhou D. Pablo Modesto González Pérez.

Já o arcebispo de Caracas referiu que a Igreja ativou de imediato uma rede de solidariedade, acolhendo as pessoas desalojadas nas estruturas paroquiais.

D. Raúl Biord Castillo observou que a tragédia “poderia ter sido muito mais grave” se não tivesse ocorrido num dia feriado, com as escolas, escritórios e lojas encerradas.

A fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) e a Cáritas Internacional anunciaram igualmente a mobilização de apoios de emergência, em articulação com a rede de 30 mil voluntários católicos venezuelanos.

A Cáritas da Venezuela abriu centros de recolha para apoiar as populações atingidas pelos sismos de quarta-feira, apelando à mobilização de cidadãos dentro e fora do país.

“A eles dizemos: não estão sozinhos. A Igreja, através da Cáritas, caminha a vosso lado”, sublinha a organização no comunicado oficial divulgado após os abalos sísmicos.

“É nestes momentos, quando a própria terra parece desestabilizar-se debaixo dos nossos pés, que a Igreja é chamada a ser presença, consolo e ação concreta”, indica a instituição católica.

A sede da Conferência Episcopal da Venezuela, em Montalbán, está a funcionar como ponto central, recebendo água potável, alimentos não perecíveis e medicamentos essenciais.

A rede humanitária delineou uma abertura progressiva de postos de assistência nas várias dioceses, mas apela à precaução da população.

A Cáritas desaconselha a deslocação de voluntários para as áreas de alto risco, devido à ameaça de réplicas e de estruturas danificadas, disponibilizando contas bancárias para a receção de contributos financeiros.

As equipas locais encontram-se no terreno a efetuar o levantamento de informações para construir um “mapa real” das necessidades, aguardando orientações da Coordenação Humanitária para atuar com ordem e oportunidade.

O documento lamenta o cenário de famílias deslocadas que procuram refúgio nas ruas e manifesta particular preocupação pelas populações “já golpeadas pela pobreza”, que veem agora o seu sofrimento multiplicado.

OC

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