Padre João Basto conduz visita a lugares marcantes, explorando a relação entre geografia e construção da identidade cristã
Viana do Castelo, 03 set 2026 (Ecclesia) – O padre João Basto percorreu hoje lugares marcantes da sua infância no Alto Minho, explorando a relação íntima entre a geografia física e a construção da identidade cristã em espaços fronteiriços.
“Esta ideia de que a fé também é uma espécie de transgressão permanente, que nós sabemos concretizar de maneiras muito específicas, foi algo que aprendi nestes lugares”, sublinhou o sacerdote da Diocese de Viana do Castelo.
O convidado do Programa ECCLESIA, emitido hoje na RTP2, falou da religiosidade popular e da herança histórica de “contrabando” que marca as povoações que unem Portugal e Espanha.
“Esta ideia de uma fronteira estanque ou de uma fronteira que seja única e exclusivamente um traço de amizade é incompleta, ou seja, é uma tensão de proximidade, mas também de tensão”, sustentou.
A viagem guiada passou pela romaria à Senhora da Agonia e a sua integração na malha urbana, demonstrando a interligação nortenha entre o sagrado e a festa popular, porque “a fé é também vivida de maneira convivial”.
“Os nossos sofrimentos, as nossas quedas, a nossa parte mortal, imperfeita, é, de certa maneira, olhada com misericórdia”, acrescentou o sacerdote.













A partir do farol de Montedor, o padre João Basto assinala que “o mar é, por um lado, uma condição de possibilidade, mas também uma forma de mostrar claramente a finitude e uma ideia de prisão”.
As memórias de infância do entrevistado estão ligados à Igreja Matriz de Caminha, cuja arquitetura evidencia o intercâmbio comercial e cultural com a vizinha região da Galiza.
“Esta mistura, esta contradição entre o que é conservador e o que é vanguardístico é muito interessante, até porque, se olharmos para ali, temos Espanha, temos uma fronteira, e isso também é muito importante para aquilo que a Matriz representa como espaço do cristianismo em diálogo com várias sensibilidades e várias tendências”, observou.
Para o sacerdote, o regresso à praça central e à Torre do Relógio desta vila desperta o confronto com a passagem do tempo, transformando a localidade numa “cidade de imaginação, cheia de ecos, cheia de vozes”.
O itinerário culminou na Capela do Calvário, em Gondarém, aldeia ribeirinha, realçando a relação com o Rio Minho.
“As paisagens na verdade são culturais, não só porque nós intervimos nelas, mas porque elas também nos moldam”, apontou o padre João Basto.
A emissão na RTP2 encerrou o ciclo ‘Caminhos na minha terra’, que o Programa ECCCLESIA apresentou nas últimas semanas, a cada quinta-feira.
HM/OC
