«Muitos querem voltar para cá, mas não têm meios», alerta Hélder José Antunes 

Cidade do Vaticano, 28 ago 2018 (Ecclesia) – Um luso-venezuelano, forçado a deixar a Venezuela devido à crise social e política que este país atravessa, apela ao governo português e à comunidade internacional para que dê uma ajuda mais efetiva às populações em dificuldades.

Em entrevista ao portal Vatican News, Hélder José Antunes, atualmente a trabalhar num centro de acolhimento ligado ao Serviço Jesuíta aos Refugiados no Lumiar, em Lisboa, frisa que “muitos portugueses querem voltar para cá, mas não têm meios adequados para vir para o seu país” de origem.

Refere ainda que o consulado português de Caracas “não dá saída a tantos portugueses que querem vir e algumas organizações que sabem o que se está a passar estão a enviar medicamentos, comida”.   

Neste sentido, este luso-venezuelano pede o apoio do governo português, sobretudo para “as pessoas de mais idade, que não têm dinheiro para pagar as passagens, e pessoas que tenham baixos recursos que queiram voltar para casa, aqui em Portugal”.

“Há muitas pessoas com documentos caducados e renová-los é muito difícil”, salienta.

Hélder José Antunes aponta também à comunidade internacional, para defender uma maior ação por parte das autoridades a fim de solucionar a crise na Venezuela.

“Faz-se pouco. Fala-se da guerra na Síria, fala-se da guerra que sofre Angola, mas não se fala dos nativos portugueses que estão na Venezuela. Deles não se fala. Esqueceram-se totalmente deles”, desabafa.

A história deste homem é feita de sofrimento, em termos pessoais e também familiares.

“Mataram o meu pai, muitos portugueses estão a morrer por não terem medicamentos, falta de comida”, lamenta.

Quanto à ação da Igreja Católica, e em especial do Papa Francisco, na abordagem e na denúncia deste e de outros contextos que atentam contra a dignidade humana, Hélder José Antunes frisa o empenho que tem havido na busca de alternativas e no apoio a quem mais precisa.

Por exemplo, no que toca à crise de refugiados, em que o Serviço Jesuíta aos Refugiados também tem estado envolvido.

“O Papa Francisco ajuda muitos os refugiados. É muito grato saber que é uma boa pessoa que ajuda muito os emigrantes”, saúda este luso-descendente que foi obrigado a vir da Venezuela para Portugal, para escapar à turbulência social e política que marca aquele país, que já foi um dos destinos mais procurados pelos migrantes portugueses.

JCP

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