Venezuela: Dioceses portuguesas mobilizam-se para ajudar vítimas dos sismos

Bispo de Aveiro destaca ligação da região ao país sul-americano

Foto: Lusa/EPA

Lisboa, 27 jun 2026 (Ecclesia) – O bispo de Aveiro anunciou a realização de um “ofertório extraordinário”, a 4 e 5 de julho, nas comunidades católicas da diocese, visando a recolha de fundos para as vítimas dos tremores de terra na Venezuela.

“Contactei o bispo de La Guaira e descreveu a situação da sua diocese como uma zona muito danificada e sem meios para reconstruir as habitações dos mais pobres. O próprio seminário diocesano ficou destruído, estando inabitável para qualquer uso”, indica D. António Moiteiro, em nota divulgada online.

O responsável católico recordou que o terramoto “destruiu uma vasta zona do país, particularmente nas dioceses de Caracas, Guarenas e La Guaira, onde vive um grupo numeroso de portugueses ou luso venezuelanos e onde a perda de vidas é muito grande”.

O montante recolhido na diocese portuguesa vai ser entregue ao bispo de la Guaira, D. Pablo Modesto Perez, “a fim de mitigar os estragos do sismo e ajudar os que perderam os seus bens”.

Lembro que a nossa diocese de Aveiro tem uma dívida de gratidão para com os nossos irmãos venezuelanos, porque nas últimas décadas do século passado nos ajudaram na construção de várias Igrejas paroquias e de centros sociais paroquiais. Agora é a nossa vez de partilharmos e sermos generosos perante a catástrofe que os meios de comunicação social nos apresentam.”

Já na Diocese de Setúbal, o bispo local anunciou hoje o envio de uma ajuda financeira de 10 mil euros para as vítimas dos sismos.

“Trata-se de um contributo modesto perante a dimensão das necessidades existentes, mas significativo para as possibilidades da nossa Igreja diocesana”, sublinhou D. Américo Aguiar, em comunicado.

O cardeal indicou que o montante visa apoiar as operações de socorro, assistência e o futuro processo de reconstrução das comunidades afetadas.

“A dor torna-se ainda mais próxima ao sabermos que entre as vítimas se encontram cidadãos portugueses e numerosos lusodescendentes, ligados por laços de sangue, de história e de afeto ao nosso país”, escreve D. Américo Aguiar.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros português atualizou hoje para 36 o número de óbitos de cidadãos nacionais ou lusodescendentes, mantendo-se 91 pessoas como desaparecidas ou incontactáveis.

O balanço oficial das autoridades locais regista agora 929 vítimas mortais e 3360 feridos, com a Organização das Nações Unidas a estimar que mais de 50 mil pessoas permaneçam desparecidas.

As regiões de Caracas e La Guaira concentram os danos mais severos, com dezenas de edifícios colapsados na sequência dos sismos de magnitude 7,2 e 7,5 na escala de Ritcher, da última quarta-feira.

OC

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