«Rejeitem todas as formas de violência, de ódio, coisas que causam divisão, e procurem ser, todos, promotores da paz» – Leão XIV
Roma, 08 mar 2026 (Ecclesia) – O Papa apelou hoje, durante a visita a uma paróquia da periferia de Roma, à construção de uma comunidade católica que atue como uma “mãe”, acolhendo as pessoas fragilizadas e marginalizadas sem julgamentos.
“Encorajo-vos a fazer com que as atividades paroquiais sejam sinal de uma Igreja que, como uma mãe, cuida dos seus filhos, sem os condenar, mas acolhendo-os, ouvindo-os e apoiando-os diante do perigo”, afirmou Leão XIV, durante a homilia da Missa a que presidiu, na Paróquia de Santa Maria da Apresentação.
A celebração, no bairro romano de Torrevecchia, decorreu no âmbito do programa de visitas pastorais à diocese, que o Papa tem vindo a realizar nas semanas antes da Páscoa.
Partindo do episódio evangélico do encontro de Jesus com a mulher samaritana, o Santo Padre traçou um paralelismo com a realidade social daquela zona urbana, marcada pela pobreza material e moral.
“Também os adolescentes e os jovens correm o risco de crescer enganados por vendedores de morte ou desiludidos com o futuro. Muitos esperam por uma casa, um trabalho que lhes assegure uma vida digna”, alertou o Papa.
Leão XIV sublinhou que os espaços eclesiais devem ser um refúgio para quem se encontra desorientado ou excluído pela sociedade.
“A esta paróquia chegam homens e mulheres feridos na alma, ofendidos na dignidade e sedentos de esperança. A vocês cabe a tarefa urgente e libertadora de mostrar a proximidade de Jesus”, desafiou a comunidade local.
A passagem pela periferia romana, que se prolongou até ao cair da noite, ficou marcada por vários momentos de contacto direto com a população.
Antes da Missa, o Papa ouviu as inquietações de várias crianças, recebeu cartas dos grupos de escuteiros e abraçou dezenas de famílias em dificuldades económicas, sendo ainda presenteado, no final da visita, com uma imagem da Virgem Peregrina trazida do vizinho bairro de Bastogi.
No diálogo com os grupos de catequese e jovens, o pontífice pediu um compromisso ativo contra o bullying e os conflitos diários.
“Rejeitem todas as formas de violência, de ódio, coisas que causam divisão, e procurem ser, todos, promotores da paz, promotores da reconciliação no mundo de hoje”, apelou aos mais novos.
O programa incluiu ainda um encontro dedicado aos idosos, aos doentes e aos voluntários da Cáritas paroquial, no qual o Papa se fez acompanhar pelo seu vigário para a Diocese de Roma, o cardeal Baldo Reina, e pelo arcebispo emérito de Agrigento, o cardeal Francesco Montenegro.
Numa sociedade que tenta fazer esquecer a dignidade humana nas situações de maior fragilidade, Leão XIV deixou uma mensagem de esperança perante o sofrimento.
“Cada um de vós, mesmo a pessoa mais idosa, a pessoa mais doente, a pessoa mais fraca, cada um de vós tem um valor imenso, porque todos somos criados à imagem de Deus, todos partilhamos esta dignidade de sermos filhos e filhas de Deus”, concluiu.
OC
