Leão XIV fez balanço da visita aos Camarões no voo rumo a Angola, sublinhando missão exclusivamente pastoral

Luanda, 18 abr 2026 (Ecclesia) – O Papa descartou hoje qualquer intenção de debater com o presidente dos Estados Unidos da América, rejeitando que as suas mensagens de paz em África sejam respostas políticas.
“Tinha sido preparado duas semanas antes, muito antes de o presidente comentar sobre mim e sobre a mensagem de paz que estou a promover”, disse Leão XIV, referindo-se ao discurso proferido no Encontro de Oração pela Paz, em Bamenda (Camarões), no último dia 16 de abril.
O pontífice falava aos cerca de 70 jornalistas que o acompanham no voo entre Iaundé e Luanda, na transição para a terceira etapa da sua viagem ao continente africano, que prossegue em Angola.
“Espalhou-se uma certa narrativa, não totalmente exata, devido à situação política criada quando, no primeiro dia da viagem, o presidente dos Estados Unidos fez algumas declarações sobre mim”, lamentou ainda.
A polémica em torno das críticas dirigidas por Donald Trump a Leão XIV marcou o arranque da deslocação, mas o Papa fez questão de desvalorizar as especulações mediáticas dos últimos dias.
“Foi interpretado como se eu estivesse a tentar debater novamente com o presidente, o que não é de todo o meu interesse”, acrescentou o pontífice, perante os profissionais da comunicação social.
A intervenção no avião papal serviu para reafirmar a natureza estritamente espiritual e de proximidade desta deslocação internacional.
“Eu venho a África principalmente como pastor, como chefe da Igreja Católica, para estar com, para celebrar com, para encorajar e acompanhar todos os católicos africanos”, sustentou Leão XIV.
O líder da Igreja Católica traçou um balanço “absolutamente fantástico” dos três dias passados nos Camarões, elogiando a “maravilhosa receção, o grande entusiasmo e a alegria” da população.
“Continuar a promover, como já estamos a fazer noutros locais e como fez o Papa Francisco durante o seu pontificado, o diálogo, a promoção da fraternidade, da compreensão, da aceitação e da construção da paz com pessoas de todas as fés”, apelou, recordando o encontro com líderes islâmicos na capital camaronesa.
O Papa alertou ainda para a problemática da “distribuição desigual da riqueza” que afeta o território e compromete o desenvolvimento.
A visita a Angola conclui-se a 21 de abril, altura em que o Papa parte para a Guiné Equatorial, última paragem da maior viagem do atual pontificado, iniciada segunda-feira na Argélia.
OC
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