Igreja/Jovens: «Não se cria uma cultura de Pastoral Juvenil com atividades soltas» – Padre Eduardo Duque

Sociólogo participou no projeto  «O.Gerador – Oficina para o Desenvolvimento da Pastoral Juvenil»  promovido pelo Departamento Nacional

Foto Agência ECCLESIA/PR

Fátima, 18 abr 2026 (Ecclesia) – O padre Eduardo Duque, sociólogo, afirmou hoje no Laboratório de Formação de Formadores (LFF) que é necessário criar uma “cultura de Pastoral Juvenil”, não a partir de “atividades soltas”, mas do acompanhamento que torna as “pessoas adultas na fé”.

“É muito importante nos dias de hoje – e é aquilo que eu creio que esta Pastoral Juvenil está a criar – é uma cultura. Nós, na Igreja temos muitas atividades, mas são fogachos, não há acompanhamento”, alertou o professor universitário em declarações à Agência ECCLESIA.

O Departamento Nacional da Pastoral Juvenil (DNPJ) promove este fim de semana a primeira sessão presencial “O.Gerador – Oficina para o Desenvolvimento da Pastoral Juvenil” com o objetivo de desenvolver um projeto de formação de agentes de Pastoral Juvenil em Portugal.

“Gostaria que as atividades fossem um bocadinho mais interligadas, que soubéssemos que existe um antes, um meio, um após. E no meio disto, estas atividades que são programadas, são pensadas, são estruturadas, vão levar a que se acompanhe o jovem”, acrescentou o padre Eduardo Duque.

Cria-se uma cultura de Pastoral Juvenil quando há programação, quando se estruturam realmente as atividades, quando se estruturam processos, quando se percebem as questões encadeadas, interligadas umas nas outras. E então assim vamos acompanhando. A grande palavra aqui creio eu é sermos acompanhantes”.

A sessão de formação de formadores iniciou com a apresentação da realidade dos jovens em Portugal, pelo sociólogo Eduardo Duque, que considera o ponto de partida para “perceber os processos” que permitem acompanhar os jovens como método para “tornar pessoas adultas na fé”.

“Ser jovem na sociedade de hoje é muito diferente de ser jovem em sociedades outras, que nós conhecemos e que nós imaginamos. Ser jovem no século de hoje exige uma gramática, exige uma compreensão, exige que nós possamos perceber a sociedade em que ele, de facto, é jovem”, indicou o sociólogo da Arquidiocese de Braga.

Se é uma categoria que é social e que é cultural, ser jovem, hoje é diferente de há 20 anos ou há 40 anos ou há 100 anos atrás”.

O padre Eduardo Duque referiu-se ao inquérito “European Values Study”, que se realiza de 10 em 10 anos, onde se revela que, nos últimos 30 anos, a prática religiosa diminuiu assim como todas as variáveis ligadas à religião, exceto a “importância atribuída a Deus” pelos jovens.

Foto DNPJ

“Sete em cada dez jovens diziam que Deus era importante para si. Então temos de refletir: porquê é que Ele não está na Igreja? Talvez a Igreja deva fazer o exame de consciência e pensar que alguma coisa pode não estar bem”, alertou.

O padre Eduardo Duque adiantou tem um “sentimento pastoral” de que “está a haver uma leve aproximação da Igreja aos jovens e dos jovens à Igreja”, mesmo não podendo afirmar o mesmo “em termos sociológicos”.

“Num tempo em que a sociedade está a deixar, de certa forma, o jovem muito ao de leve, muito sem respostas sólidas, e se o jovem não encontra na sociedade respostas sólidas, ele precisa de instituições que lhe deem essas respostas. E eu creio que a Igreja também está a compreender essa realidade e está a procurar, está a encontrar a linguagem adequada para se aproximar do jovem”, acrescentou.

Na sessão promovida pelo DNPJ, o padre Eduardo Duque sugeriu que seja criada um revista sobre a Pastoral Juvenil, com textos científicos e com a partilha de boas práticas.

“O.Gerador – Oficina para o Desenvolvimento da Pastoral Juvenil” é um projeto que tem por objetivo formar agentes de Pastoral Juvenil, “capacitar aqueles que acompanham jovens”

“É necessário capacitar todos aqueles que, de alguma forma, na sua missão, acompanham jovens e estão à frente de grupos. A grande necessidade é dotá-los de meios, de ferramentas que possam acrescentar à vida dos jovens que acompanham”, disse David Moura

Para o responsável da Equipa de Formação do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil (DNPJ) o grande objetivo de “O.Gerador” é “dotar a pastoral juvenil de gente capaz”, promovendo um “trabalho em rede.

“O.Gerador – Oficina para o Desenvolvimento da Pastoral Juvenil” é composto por quatro laboratórios, que se dirigem a públicos diversificados no contexto da Pastoral Juvenil.

O Laboratório de Formação de Formadores, que neste fim de semana tem a primeira sessão presencial, dirige-se a agentes pastorais que depois promovam ações de formação nas suas dioceses e paróquias.

O Laboratório de Liderança Sinodal Jovem “tem como objetivo capacitar os futuros líderes de pastoral juvenil em Portugal”.

O terceiro projeto formativo é o Laboratório de Acompanhadores que visa capacitar as jovens e os jovens que acompanham outros jovens.

O Laboratório de Inovação e Criatividade é a quarta proposta do DNPJ e tem por objetivo “explorar áreas e capacitar agentes pastorais em áreas específicas, com formações muito específicas, mas que todas elas contribuirão para a pastoral juvenil”.

David Moura disse à Agência ECCLESIA que a Pastoral Juvenil em Portugal está a implementar um processo de renovação, nomeadamente ao ter um diretor nacional a tempo inteiro e, desde a última semana, um novo presidente da Comissão Episcopal que coordena este setor na Conferência Episcopal Portuguesa.

“Não sei se será um tempo perfeito, mas sei dizer que é aquilo que nós não tínhamos antes. Há uma série de anos que a Pastoral Juvenil foi fazendo o seu trabalho, mas chegou a uma pós-Jornada Mundial da Juventude, era necessário algo mais”, concluiu.

PR

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