Francisco sublinha que Jesus mostrou divindade presente no dia a dia de cada pessoa

Foto Epa/Lusa

Cidade do Vaticano, 04 jul 2021 (Ecclesia) – O Papa questionou hoje no Vaticano a imagem de Deus que é partilhada pelos cristãos que “não aceitam o escândalo da Encarnação” e rejeitam o ensinamento do próprio Jesus.

“Na verdade, é mais confortável um deus abstrato e distante, que não se envolve nas situações e que aceita uma fé que está longe da vida, dos problemas, da sociedade. Ou gostamos de acreditar num deus dos ‘efeitos especiais’, que só faz coisas excecionais e oferece sempre grandes emoções”, disse Francisco, desde a janela do apartamento pontifício, antes da recitação da oração do ângelus.

A intervenção sublinhou que, em Jesus Cristo, Deus atua na “concretude” e no quotidiano da humanidade, mas para muitos “é escandaloso que a imensidão de Deus se revele na pequenez da nossa carne, que o Filho de Deus seja filho do carpinteiro, que a divindade se esconda na humanidade, que Deus habite no rosto, nas palavras, nos gestos de um homem simples”.

“Deus encarnou: Deus é humilde, terno, escondido, aproxima-se de nós vivendo a normalidade do nosso dia-a-dia”, acrescentou.

A reflexão partiu de uma passagem do Evangelho segundo São Marcos, que fala da incredulidade dos conterrâneos de Jesus perante a sua pregação.

“Jesus afirma uma verdade que também se tornou parte da sabedoria popular: ‘Um profeta não é desprezado senão na sua terra natal, entre os seus parentes e na sua casa’”, observou Francisco.

O Papa sublinhou que existe uma diferença entre “saber e reconhecer”, quando falamos de outra pessoa.

“É um risco que todos corremos: pensamos que sabemos muito sobre uma pessoa e o pior é que a rotulamos e fechamos nos nossos preconceitos”, advertiu.

Francisco convidou a superar “o conforto do hábito e a ditadura dos preconceitos”, realçando que, para alguns crentes, “basta repetir as coisas de sempre”.

“Isso não basta, com Deus. Sem abertura às novidades e, sobretudo – ouçam bem – e às surpresas de Deus, sem espanto, a fé torna-se uma ladainha cansada” e um “costume social”, assinalou.

O Papa convidou a rezar para que os cristãos possam ter “olhos e corações livres de preconceitos, abertos ao espanto, às surpresas de Deus, à sua humilde e oculta presença na vida quotidiana”.

OC

Após a oração, Francisco falou da “tensão e violência” que se vive em Essuatíni, a antiga Suazilândia, onde a repressão de manifestações contra o monarca provocou várias mortes, nas últimas semanas.

“Convido os que têm responsabilidade e os que manifestam as suas aspirações sobre o futuro do país a um esforço conjunto pelo diálogo, a reconciliação e a recomposição pacífica das várias posições”, pediu o Papa.

Partilhar:
Share