Vaticano: Papa rejeita «certezas religiosas» que fechem as comunidades

«Por vezes, pensamos que basta continuar a fazer como sempre fizemos», alertou Leão XIV

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 23 ago 2026 (Ecclesia) – O Papa apelou hoje aos católicos para rejeitarem uma vivência espiritual baseada no conformismo, falando durante a recitação dominical do ângelus.

“Aprendamos a não nos fecharmos nas nossas convicções e certezas religiosas, para nos mantermos abertos a uma relação autêntica com Cristo”, pediu Leão XIV aos peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.

“Por vezes, no que diz respeito à fé cristã, contentamo-nos com o que ‘ouvimos dizer’, com os lugares-comuns, com aquilo que nos foi transmitido, mesmo que com boa intenção”, acrescentou, falando desde a janela do apartamento pontifício.

O Papa considerou que a vida cristã implica uma “resposta pessoal” e a vontade de conhecer Jesus “de perto”, vencendo a “tentação de pensar que já se sabe tudo” e de” transformar a fé num costume”.

“Isto é válido tanto para o nosso percurso pessoal como para o caminho da Igreja e para as escolhas pastorais, onde, por vezes, pensamos que basta continuar a fazer como sempre fizemos”, alertou Leão XIV.

No âmbito da nossa vida, podemos avaliar se, para nós, o Senhor Jesus é apenas uma grande figura da história que disse e fez coisas importantes, ou se é o Cristo de Deus, aquele que foi enviado para nos introduzir no amor do Pai e transformar a nossa vida e o mundo em que vivemos.”

A reflexão destacou que a verdadeira amizade com Deus se traduz num “encontro sempre novo” que pode levar a “percorrer caminhos inéditos e fazer escolhas diferentes”.

“A fé não nos é dada de uma vez para sempre; pelo contrário, precisamos constantemente de redescobrir o rosto de Cristo e o seu Evangelho, aprofundar a sua mensagem e renovar as escolhas da nossa vida”, apontou o pontífice.

Após a recitação do ângelus, Leão XVI saudou os grupos presentes no Vaticano, evocando o 10.º aniversário do terramoto que atingiu o centro de Itália, a 24 de agosto de 2016.

“Rezo pelos falecidos, pelas suas famílias e por todas as comunidades afetadas. Que a fé e a solidariedade continuem a sustentar a obra de reconstrução”, pediu.

OC

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