Francisco sublinha defesa da vida humana desde a conceção

Foto: Lusa/EPA

Cidade do Vaticano, 15 set 2021 (Ecclesia) – O Papa disse hoje que a posição da Igreja Católica sobre o aborto deve ser clara, comparando-o a um “homicídio”, e rejeito qualquer aproveitamento político nesta matéria.

“É mais do que um problema, é um homicídio. Sem meias palavras, quem faz um aborto mata”, referiu aos jornalistas que o acompanharam no voo de regresso a Roma, desde Bratislava, após uma visita de quatro dias à Hungria e Eslováquia.

Questionado sobre a possibilidade de negar a Comunhão a responsáveis que apoiem leis que despenalizam o aborto, Francisco sublinhou que os bispos devem adotar uma abordagem pastoral, em vez de entrar na esfera política.

“O problema não é teológico, que é simples, mas é pastoral, como é que nós bispos administramos pastoralmente este princípio. Se olharmos para a história da Igreja, veremos que sempre que os bispos não administraram um problema como pastores, posicionaram-se do lado político”, precisou.

Francisco sustentou que, desde a conceção, está em causa “uma vida humana”.

“Ponto. Esta vida humana deve ser respeitada e este princípio é tão claro! Para aqueles que não conseguem entender, eu faria esta pergunta: é correto matar uma vida humana para resolver um problema?”, questionou.

É por isso que a Igreja é tão dura nesta questão, porque seria como se aceitasse o assassinato diário”.

O Papa precisou que o termo “excomunhão” se refere ao facto de alguém estar fora da comunidade católica, pelo que não pode comungar, mas alertou para as consequências de defender princípios a um nível político e não pastoral, evocando episódios como a morte de Joana d’Arc ou a “caça às bruxas”.

“O que deve fazer o pastor? Ser um pastor, não condenar. Ser um pastor, porque ele é um pastor também para o excomungado”, acrescentou.

Francisco evitou particularizar a sua intervenção com a situação nos EUA, onde responsáveis católicos pedem que o presidente Joe Biden seja impedido de comungar.

“O pastor sabe o que fazer em todos os momentos. Mas se sair da pastoralidade da Igreja, torna-se imediatamente um político, e pode ver-se isso em todas as denúncias, as condenações não pastorais da Igreja”, apontou.

A intervenção recordou as reações à possibilidade de aceder à Comunhão para pessoas numa segunda união, aberta pela exortação pós-apostólica ‘Amoris laetitia’, com acusações de “heresia”.

“Basta de excomunhões”, pediu o Papa, que tinha começado por referir que, enquanto padre, nunca recusou a Eucaristia a ninguém.

“A Comunhão não é um prémio para os perfeitos”, assinalou.

Francisco completou hoje a sua 34ª viagem internacional, no pontificado, com passagens por Budapeste, no domingo, onde encerrou o Congresso Eucarístico Internacional, e por várias cidades da Eslováquia.

OC

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