Francisco pede proteção para crianças «privadas» da sua infância e ameaçadas pela pandemia

Cidade do Vaticano, 12 jun 2020 (Ecclesia) – O Papa associou-se hoje à celebração do Dia Mundial contra o trabalho infantil, reforçando o seu apelo pela defesa dos mais novos.

“Muitas crianças são obrigadas a trabalhos inadequados para sua idade, que as privam da sua infância e colocam em risco o seu desenvolvimento integral. Faço um apelo às instituições para que realizem todos os esforços para proteger os menores”, escreveu Francisco, na sua conta do Twitter, numa mensagem acompanhada pela hashtag ‘#NoChildLabourDay’.

Em 2020, a ONU celebra o Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil, com o tema ‘Covid-19: Proteja as crianças do trabalho infantil, mais do que nunca’.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho, a pandemia pode levar ao primeiro aumento deste indicador, após 20 anos de progresso, sujeitando as crianças a uma “maior carga horária e condições mais perigosas” para a sua saúde e segurança.

Na última quarta-feira, o Papa tinha alertado para formas de “escravatura” e “reclusão” que afetam crianças de vários países.

No final da audiência geral que decorreu na biblioteca do Palácio Apostólico do Vaticano, Francisco lançou um apelo às instituições internacionais, “para que façam todos os esforços para proteger os menores, colmatando as lacunas económicas e sociais que estão na base da dinâmica distorcida em que eles, infelizmente, estão envolvidos”.

O pontífice denunciou a exploração do trabalho infantil, “fenómeno que priva meninos e meninas da sua infância e põe em risco o seu desenvolvimento integral”.

Na atual situação de emergência sanitária, em vários países, muitas crianças e adolescentes são obrigados a trabalhar, em empregos desadequados para a sua idade, para ajudar as suas famílias em condições de extrema pobreza. Em muitos casos, estas são formas de escravatura e reclusão, resultando em sofrimentos físico e psicológico”.

Francisco afirmou que “todos” são responsáveis por esta situação.

“As crianças são o futuro da família humana: todos temos a tarefa de promover o seu crescimento, saúde e serenidade”, concluiu.

Segundo a ONU, existem 152 milhões de crianças a trabalhar, em todo o mundo.

O portal de notícias do Vaticano destaca o caso de Zohra, menina paquistanesa de oito anos que trabalhava como empregada doméstica e foi espancada até à morte na casa onde se encontrava.

A pobreza extrema leva muitos pais a enviar os seus filhos para trabalhar com famílias mais ricas, geralmente com a promessa de escolaridade e educação, que acaba por não se concretizar.

OC

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