Um dos líderes indígenas explicou que «é possível construir uma agenda» para discutir o «grande problema» atual

Cidade do Vaticano, 26 ago 2021 (Ecclesia) – O Papa Francisco recebeu hoje uma delegação do Movimento mundial Laudato Si, onde também estavam duas lideranças indígenas do Pará, no Brasil, na antessala da Sala Paulo VI, no Vaticano.

“Recebeu-nos com todo o carinho, com toda essa pessoa sensível que é; foi sensível à luta indígena do Brasil e garantiu que é possível construir uma agenda onde se possa discutir esse grande problema que hoje acontece”, disse um dos responsáveis indígenas ao portal ‘Vatican News’.

“Que é possível fazer aliança entre a população indígena no Brasil e a liderança que ele é no Vaticano. Deu-nos uma esperança muito boa”, acrescentou.

No Brasil, o Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou a sessão desta quarta-feira sem retomar o julgamento da tese do chamado “marco temporal”, que pode retirar direitos aos povos indígenas sobre a demarcação das suas terras.

A tese do chamado “marco temporal” defende que povos indígenas brasileiros só podem reivindicar terras onde já viviam em 5 de outubro de 1988, dia em que entrou em vigor a atual Constituição do país.

A Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – (CNBB), no início deste mês, manifestou solidariedade aos indígenas e quilombolas, expressando “incondicional solidariedade aos povos indígenas e quilombolas do Brasil”, alertando para “processos que retrocedem em direitos”, e “ameaças aos direitos territoriais destes povos”.

Sobre o apoio a esta causa, um dos responsáveis indígenas brasileiros, que esteve hoje no Vaticano, destacou a “importância e influência” da Igreja Católica no mundo.

Foto Vatican News

“No momento em que o cacique recebe o convite para se encontrar com o Papa Francisco e assume o compromisso pela defesa e manutenção dos direitos originários dos povos indígenas, dos povos tradicionais, é muito importante porque a Igreja está a reconhecer o seu papel social, não só religioso”, desenvolveu.

No encontro desta manhã, entre Francisco e a delegação do Movimento ‘Laudato Si’ destaca-se também o momento descontraído em que dançaram o ‘Surara’ e “o Papa entrou na roda”, onde cantam “somos guerreiros, eu sou guerreiro”, e também cantaram ‘Surara Papa Francisco, o que “significa que ele é um guerreiro forte no Vaticano”.

Ao portal Vatican News’, as lideranças indígenas do Pará recordaram que fizeram testes ao coronavírus Covid-19 no Brasil, quando chegaram a Itália, uma quarentena de 10 dias em Roma, para além do teste antes de entrarem no Vaticano.

CB

 

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