Francisco abençoou pálios de arcebispos de 54 diocese metropolitas, incluindo quatro brasileiras e uma timorense

Foto: Lusa/EPA

Cidade do Vaticano, 29 jun 2020 (Ecclesia) – O Papa presidiu hoje à Missa da solenidade de São Pedro e São Paulo, com participação reduzida a cerca de uma centena de pessoas, no Vaticano, e pediu uma Igreja unida, sem sede de poder nem de riqueza.

“Não poder, mas coerência; não palavras, mas oração; não proclamações, mas serviço. Se queres uma Igreja profética, começa a servir. Não teoria, mas testemunho. Precisamos não de ser ricos, mas de amar os pobres; não de ganhar para nós, mas de nos gastarmos pelos outros; não do consenso do mundo, estar bem com todos, estar bem com Deus e com o diabo – não, isto não é profecia – mas da alegria pelo mundo que virá”, disse, na homilia que proferiu na Basílica de São Pedro.

“Hoje precisamos de profecia, de verdadeira profecia: não discursos que prometem o impossível, mas testemunhos de que o Evangelho é possível. Não são necessárias manifestações miraculosas”, acrescentou Francisco.

Durante a celebração, o Papa abençoou os pálios que serão entregues aos arcebispos metropolitas nomeados no decorrer do último ano, incluindo cinco dioceses lusófonas: Díli, em Timor-Leste, e quatro brasileiras – São Salvador da Bahia, Vitória da Conquista, Santarém e Manaus.

Junto ao Papa, também o novo decano do Colégio Cardinalício, D. Giovanni Battista Re, recebeu o pálio, após proferir o discurso de saudação e o juramento de obediência e fidelidade aos pontífices.

“O pálio recorda a unidade entre as ovelhas e o Pastor que, como Jesus, carrega a ovelha aos ombros e nunca mais a larga”, explicou Francisco.

O Papa sublinhou que São Pedro e São Paulo eram “duas pessoas muito diferentes” que souberam viver como irmãos num fase “crítica” para a Igreja Católica, pouco depois de ter nascido.

“Neste momento trágico, ninguém foge, ninguém pensa em salvar a pele, ninguém abandona os outros, mas todos rezam juntos. Da oração, tiram coragem; da oração, vem uma unidade mais forte do que qualquer ameaça”, recordou.

É inútil, e até maçador, que os cristãos percam tempo a lamentar-se do mundo, da sociedade, daquilo que está errado. As lamentações não mudam nada”.

Francisco desafiou os católicos a “construir uma Igreja e uma humanidade renovadas”, com capacidade profética.

“A profecia nasce quando nos deixamos provocar por Deus: não quando gerimos a própria tranquilidade, mantendo tudo sob controlo. Quando o Evangelho inverte as certezas, brota a profecia. Só quem se abre às surpresas de Deus é que se torna profeta”, precisou.

O Papa pediu “pastores que ofereçam a vida, enamorados de Deus”.

A celebração dos padroeiros da cidade de Roma deixou uma saudação ao Patriarcado Ecuménico de Constantinopla (Igreja Ortodoxa), que habitualmente envia uma delegação ao Vaticano neste dia – este ano a viagem foi cancelada, por causa da pandemia; a visita é retribuída anualmente por uma delegação da Santa Sé, que se desloca à Turquia na festa de Santo André (30 de novembro)

“Pedro e André eram irmãos; e entre nós, quando é possível, trocamos uma visita fraterna nas respetivas festas, não tanto por gentileza, mas para caminhar juntos rumo à meta que o Senhor nos indica: a unidade plena”, indicou Francisco.

Devido à atual emergência sanitária, o Papa determinou que a coleta do Óbolo de São Pedro, tradicionalmente realizada na solenidade dos Santos Pedro e Paulo, aconteça este ano a 4 de outubro, dia dedicado a São Francisco de Assis.

OC

A celebração começou com um momento de oração junto ao túmulo do apóstolo Pedro, primeiro Papa, onde os pálios foram colocados na última noite.

Em 2015, Francisco decidiu modificar a celebração de entrega dos pálios aos novos arcebispos metropolitas, deixando de impor esta insígnia no Vaticano, uma tarefa agora confiada aos núncios apostólicos (representantes diplomáticos da Santa Sé).

A insígnia litúrgica e de jurisdição é feita com a lã de dois cordeiros brancos benzidos pelos Papas na memória litúrgica de Santa Inês, a 21 de janeiro, e simboliza o Bom Pastor que leva nos ombros o cordeiro até dar a sua própria vida, como recordam as cruzes negras bordadas.

O pálio é envergado pelos arcebispos metropolitas nas suas dioceses e nas da sua província eclesiástica, sistema administrativo que deriva da divisão civil do Império Romano, depois da paz de Constantino (313); em Portugal há três províncias eclesiásticas: Braga, Lisboa e Évora.

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