Vaticano: Papa evoca «corpos flagelados» pela violência

Leão XIV deixa ainda palavra de solidariedade a populações atingidas pelas inundações em Minas Gerais

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 01 mar 2026 (Ecclesia) – O Papa denunciou hoje a violência que reduz o ser humano a uma “mercadoria”, apresentando a Transfiguração de Jesus como resposta ao sofrimento e à violência no mundo.

“A Transfiguração antecipa a luz da Páscoa, evento de morte e de ressurreição, de trevas e de nova luz que Cristo irradia sobre todos os corpos flagelados pela violência, sobre os corpos crucificados pela dor, sobre os corpos abandonados na miséria”, disse, na reflexão que antecedeu a recitação da oração do ângelus, desde a janela do apartamento pontifício.

Leão XVI sublinhou a esperança que o percurso em direção à ressurreição projeta sobre a fragilidade e a dor do corpo humano.

“Com efeito, enquanto o mal reduz a nossa carne a uma mercadoria de troca ou a uma massa anónima, é precisamente esta carne que resplandece da glória de Deus”, afirmou, perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro.

O Papa apresentou a mensagem cristã como o antídoto absoluto para o vazio existencial e para o afastamento contemporâneo da dimensão espiritual.

“Ao desespero do ateísmo, o Pai responde com o dom do Filho Salvador; o Espírito Santo resgata-nos da solidão agnóstica, oferecendo uma comunhão eterna de vida e graça; diante da nossa fé fraca, está o anúncio da ressurreição futura: eis o que os discípulos viram no esplendor de Cristo, mas para compreendê-lo é preciso tempo”, sustentou.

A compreensão deste mistério, alertou, exige uma preparação interior ao longo do percurso da Quaresma, que antecipa a celebração da Páscoa.

“Tempo de silêncio para ouvir a Palavra, tempo de conversão para apreciar a companhia do Senhor”, recomendou.

O texto do Evangelho deste domingo narra a manifestação luminosa de Jesus, ladeado por Moisés e Elias, a três dos discípulos.

“Pedro, Tiago e João contemplam uma glória humilde, que não se exibe como um espetáculo para as multidões, mas como uma solene confidência”, explicou Leão XIV.

Após a oração do ângelus, o Papa mostrou-se solidário com as populações do estado brasileiro de Minas Gerais, “atingidas por violentas inundações”.

“Rezo pelas vítimas, pelas famílias que perderam as suas casas e por todos aqueles que estão envolvidos nas operações de socorro”, disse.

OC

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