Francisco instituiu pela primeira vez, no ministério de leitor e de catequista, homens e mulheres de quatro continentes

Cidade do Vaticano, 23 jan 2022 (Ecclesia) – O Papa presidiu hoje no Vaticano à Missa do Domingo da Palavra, numa celebração em que, pela primeira vez, instituiu no ministério de leitor e de catequista sete leigos e nove leigas católicas, de quatro continentes.

“Apaixonemo-nos pela Sagrada Escritura, deixemo-nos interpelar profundamente pela Palavra, que desvenda a novidade de Deus e nos leva a amar incansavelmente os outros. Voltemos a colocar a Palavra de Deus no centro da pastoral e da vida da Igreja! Vamos ouvi-la, rezá-la e colocá-la em prática”, pediu Francisco, na Eucaristia que decorreu na Basílica de São Pedro.

O ministério de catequista foi criado pelo Papa em maio de 2021, meses depois de ter estabelecidos que as mulheres tivessem acesso aos ministérios de Leitor e Acólito.

Francisco evocou a situação de milhares de migrantes, rejeitados nas fronteiras, apontando o dedo a quem faz política “em nome de Deus”, mas ignora “um mundo dilacerado pela injustiça e pela fome”.

“São sempre os mais fracos que pagam o preço”, lamentou.

O Papa assinalou que a Bíblia “mina” as justificações de quem culpa os outros pelos problemas do mundo e se limita a dizer que “não há nada a fazer”, sustentado que é necessário “unir o culto a Deus e o cuidado do homem”.

A intervenção destacou a centralidade da misericórdia na ação de Jesus, que mostra um Deus comprometido em “libertar os pobres e oprimidos”.

“Esta é a sua característica: proximidade”, acrescentou.

Qual é o rosto de Deus que anunciamos na Igreja: o Salvador que liberta e cura, ou o Temível que esmaga avivando os sentimentos de culpa?”.

Na celebração que instituiu para destacar a centralidade da Bíblia, o Papa convidou os católicos a fazer dela a referência da sua oração e vida espiritual, inspirando gestos de atenção ao próximo.

“No centro da vida do povo santo de Deus e do caminho da fé, não estamos nós com as nossas palavras; no centro, está Deus com a sua Palavra”, observou Francisco, esta manhã.

“No momento, há na Igreja as tentações da rigidez, que é uma perversão. Acredita-se que encontrar Deus é tornar-se mais rígido, com mais normas… Não é assim. Quando vemos propostas rígidas, de rigidez, pensemos logo: este é um ídolo, não é Deus. O nosso Deus não é assim”, advertiu ainda.

Os leitores e catequistas foram instituídos com um rito próprio, após a homilia, recebendo, respetivamente, uma Bíblia e uma reprodução da cruz pastoral usada primeiro por São Paulo VI e mais tarde por São João Paulo II.

Os novos ministros chegaram do Coreia do Sul, Paquistão, Gana, Itália, Brasil, Espanha, Polónia e do Vicariato Apostólico de Yurimaguas (Peru), na Amazónia.

OC

Vaticano: Papa institui ministério de Catequista

 

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