«Pensemos em Edwin, no que sentiu este homem, de 46 anos, no frio, ignorado por todos, abandonado também por nós» – Francisco

Cidade do Vaticano, 24 jan 2021 (Ecclesia) – O Papa recordou hoje no Vaticano a morte de um sem-abrigo nigeriano, de 46 anos, encontrado sem vida próximo da Praça de São Pedro, a 20 de janeiro, por causa do frio.

“O seu caso soma-se a de tantos sem-abrigo recentemente mortos em Roma, nas mesmas dramáticas situações. Rezemos por Edwin”, disse, após a recitação do ângelus, com transmissão online, na biblioteca do Palácio Apostólico.

Francisco evocou São Gregório Magno, Papa entre 590 e 604, o qual, aquando da morte de uma pobre, por causa do frio, disse que “nesse dia não se celebrariam Missas, porque era como uma Sexta-feira Santa”.

“Pensemos em Edwin, no que sentiu este homem, de 46 anos, no frio, ignorado por todos, abandonado também por nós. Rezemos por ele”, apelou o Papa.

Por iniciativa de Francisco e da sua Esmolaria Apostólica, o Vaticano tem multiplicado respostas solidárias para os sem-abrigo, incluindo a recente vacinação de um grupo de 25 pessoas contra a Covid-19; junto à Praça de São Pedro, o Palácio Miglori foi convertido num centro de acolhimento para pessoas em situação de exclusão.

A oferta de serviços de saúde, higiene, alimentação e alojamento temporário fez com que muitas pessoas em situação de sem-abrigo passassem a concentrar-se nas áreas mais próximas da Praça de São Pedro.

A intervenção assinalou ainda o dia de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas, e a publicação, este sábado, da mensagem para o 55.º Dia Mundial das Comunicações Sociais (16 de maio de 2021) com o tema ‘«Vem e verás» (Jo 1, 46). Comunicar encontrando as pessoas onde estão e como são’.

“Exorto todos os jornalistas e comunicadores e ir e ver, também onde ninguém quer ir, e a testemunhar a verdade”, pediu Francisco.

O Papa evocou depois as famílias mais atingidas pela pandemia.

“Coragem, vamos em frente, rezemos por estas famílias e estejamos perto delas, na medida do possível”, declarou.

Na sua reflexão inicial, Francisco convidou os católicos a aceitar a “salvação” de Deus, apresentada como “uma mudança decisiva de visão e de atitude”.

“O pecado trouxe ao mundo uma mentalidade que tende a afirmar-se contra os outros e também contra Deus” e “não hesita em usar o engano e a violência”, advertiu.

O Papa observou que “o tempo para poder aceitar a redenção é curto”, recordando uma frase que ouviu quando foi administrar o sacramento da Unção dos Doentes a um idoso: “A vida voou. Pensava que era eterno, mas a vida voou”.

“Que a Virgem Maria nos ajude a viver cada dia, cada momento como um tempo de salvação, no qual o Senhor passa e nos chama a segui-lo”, concluiu.

OC

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