Organismo da Santa Sé vai lançar campanha nas redes sociais para sensibilizar opinião pública contra escravatura moderna

Cidade do Vaticano, 29 jul 2018 (Ecclesia) – O Papa associou-se hoje à Jornada Mundial contra o Tráfico de Pessoas, promovida pela ONU esta segunda-feira, denunciando o que qualificou como “crime vergonhoso”.

“Esta chaga reduz à escravatura muitos homens, mulheres e crianças, com o objetivo de exploração laboral e sexual, do comércio dos órgãos, a mendicidade e a delinquências força. Também aqui, em Roma”, disse, desde a janela do apartamento pontifício, no Vaticano.

Perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, para a recitação do ângelus, Francisco advertiu que as rotas migratórias são muitas vezes utilizadas por “traficantes e exploradores” para recrutar novas vítimas.

“É responsabilidade de todos denunciar as injustiças e combater com firmeza este crime vergonhoso”, apelou.

No Vaticano, o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral vai promover uma campanha de sensibilização nas redes sociais, com a hashtag #EndHumanTrafficking.

A campanha denuncia uma “tragédia de proporções planetárias”, apontando o dedo a uma “indústria” que fatura “150 mil milhões de dólares em todo o mundo.

“O lucro da escravidão tem de parar agora! Esses corpos não estão à venda”, assinala a mensagem de lançamento da iniciativa.

O organismo da Santa Sé pede que todos ajudem a “sensibilizar” a opinião pública sobre “um problema negligenciado”.

Ainda no ângelus, o Papa alertou para o problema da fome e do desperdício alimentar, partindo do episódio evangélico da “multiplicação dos pães”.

“Penso nas pessoas que têm e na comida que desperdiçamos. Que cada um de nós pense: a comida que sobra no almoço, no jantar, para onde vai? O que se faz na minha casa com as sobras? Deita-se fora? Não, se costumas fazer isso, dou-te um conselho: fala com os teus avós, que viveram no pós-guerra”.

Francisco deixou um pedido a todos os presentes na Praça de São Pedro: “Nunca se deita fora a comida que sobra”.

Na sua reflexão dominical, o Papa sublinhou que os católicos são chamados a ouvir os “pedidos mais simples das pessoas” e a colocar-se ao seu lado, para que depois possam ser ouvidos quando falam de “valores superiores”.

“Rezemos à Virgem Maria, para que no mundo prevaleçam os programas dedicados ao desenvolvimento, à alimentação, à solidariedade, e não os do ódio, do armamento e da guerra”, concluiu.

Francisco tinha começado por saudar os “corajosos” que se deslocaram ao Vaticano num dia de sol e calor e despediu-se com os tradicionais votos de “bom almoço” e “bom domingo”.

OC

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