Francisco criticou preconceitos e pediu uma maior aposta na educação escolar das crianças

Cidade do Vaticano, 26 out 2015 (Ecclesia) – O Papa disse hoje no Vaticano que é hora de “virar a página” na relação com o povo cigano, e deixando de lado preconceitos e práticas que afetam a imagem destas populações.

“Queridos amigos, não deem aos meios de comunicação e à opinião pública ocasião para falarem mal de vocês”, exortou.

Francisco falava diante de mais de 7 mil participantes da peregrinação mundial do povo cigano, durante um encontro que decorreu na sala Paulo VI, com a presença de representantes portugueses.

Para construir o futuro, afirmou o Papa, é preciso investir na educação das crianças, advertindo para o baixo nível de escolarização dos jovens ciganos.

“Os vossos filhos têm o direito de ir à escola, não os impeçais”, pediu.

A peregrinação comemora o 50º aniversário da visita histórica do Beato Paulo VI ao acampamento de Pomezia, nos arredores de Roma, e incluiu uma celebração eucarística na capela ao ar livre dedicada ao Beato Zeferino (El Pélé), no Santuário do Divino Amor.

“Visitando algumas paróquias romanas, nas periferias da cidade, tive oportunidade de ouvir os vossos problemas, inquietações, e constatei que interpelais não só a Igreja mas também as autoridades locais”, disse Francisco.

O Papa evocou as condições precárias em que vivem muitos dos povos nómadas, as quais muitas vezes ferem o direito de cada pessoa a uma vida digna, com trabalho, educação e saúde.

“Não queremos voltar a assistir a tragédias familiares, em que crianças morrem de frio ou entre as chamas, ou se tornam objetos nas mãos de pessoas depravadas, jovens e mulheres envolvidos no tráfico de droga ou de seres humanos”, declarou.

“Muitas vezes caímos na indiferença e na incapacidade de aceitar costumes e modos de vida diferentes dos nossos”, acrescentou Francisco.

Neste sentido, o Papa convidou todos a um compromisso para eliminar preconceitos e desconfianças que estão na base da discriminação, do racismo e da xenofobia, com a construção de “periferias mais humanas”, evitando tudo o que não é digno do cristianismo, como “falsidades, fraudes, enganos ou brigas”.

“Ninguém se deve sentir isolado ou autorizado a espezinhar a dignidade e os direitos dos outros”, prosseguiu.

De Portugal participaram oito ciganos e ciganas de Viana do Castelo, Vila Real, Porto (Espinho) e Guarda, bem como os membros das direções da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos (ONPC), do Secretariado da Pastoral dos Ciganos do Porto (OVAC) e da Cáritas de Vila Real.

LFS/OC

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