Vaticano: Papa defende que países ricos financiem transição ecológica e critica diplomacia paralisada pelo «medo»

Mensagem à Cimeira Mundial Austríaca apela a uma nova estrutura económica global, baseada na solidariedade

Cidade do Vaticano, 16 jun 2026 (Ecclesia) – O Papa defendeu hoje que as nações industrializadas assumam o dever de financiar as políticas ambientais dos países em desenvolvimento, falando à X Cimeira Mundial Austríaca.

“Não é apenas desejável, mas também genuinamente possível que o progresso alcançado na COP30 seja seguido por uma transição justa para sociedades onde o bem comum tenha precedência sobre o lucro e os modelos económicos estejam enraizados na solidariedade e na dignidade humana”, referiu Leão XIV, numa intervenção em vídeo transmitida esta manhã para a assembleia reunida no Palácio Hofburg, em Viena.

O encontro internacional é promovido pela Iniciativa Climática Schwarzenegger, estrutura fundada pelo ator e político austro-americano Arnold Schwarzenegger, assinalando a sua décima edição sob o tema ‘Somos imparáveis’.

O Papa reiterou o ensinamento da recente encíclica ‘Magnifica Humanitas’ para rejeitar soluções estritamente tecnológicas que ignorem a desigualdade estrutural do planeta.

A crise ambiental “não é uma questão isolada, mas antes o aspeto ecológico da crise socioeconómica contemporânea”, sustentou.

Leão XIV considerou que aplicação efetiva dos acordos climáticos globais obrigam a uma reconfiguração imediata da arquitetura económica.

“Contudo, isto exige que os países mais ricos cumpram as suas obrigações de apoiar financeiramente os países mais pobres”, advertiu.

A mensagem papal denunciou a paralisia diplomática e institucional motivada por interesses políticos particulares que inviabilizam a proteção da criação.

“Frequentemente, porém, nas deliberações e negociações sobre estas questões, surgem vários receios: medo de mudar de rumo, medo de perder poder e medo de resultados incertos”, lamentou Leão XIV.

O Papa abordou ainda o papel da dimensão religiosa nas questões das alterações climáticas e da proteção ambiental.

“Aqueles que acreditam que o nosso mundo foi criado por Deus e é inerentemente bom são obrigados a assumir uma responsabilidade ainda maior de cuidar da criação, dado que esta é a exigência da sua fé”, defendeu.

A mensagem concluiu-se com votos de que a cimeira seja “frutífera na promoção do diálogo tão necessário para a busca de soluções eficazes para proteger o maravilhoso dom da criação”.

OC

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